PCP diz que programas ocupacionais "disfarçam" desemprego nos Açores

PCP diz que programas ocupacionais "disfarçam" desemprego nos Açores

 

Lusa/AO online   Regional   12 de Fev de 2015, 17:46

O líder do PCP/Açores, Aníbal Pires, acusou o Governo Regional de utilizar os "programas ocupacionais" no arquipélago para "disfarçar" os números do desemprego na região.

 

Numa declaração política feita no parlamento regional, na cidade da Horta, o deputado comunista afirmou que a taxa de desemprego nos Açores estimada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) já é "a mais alta do país", na ordem dos 15,7%, e considerou que só não é maior devido aos programas ocupacionais desenvolvidos pelo executivo açoriano.

"São quase cinco milhares de açorianas e açorianos que, sem terem emprego, trabalham, e, estando desempregados, não contam para o desemprego", disse Aníbal Pires, considerando que tanto na região autónoma como na República estes programas são utilizados para "disfarçar a verdadeira dimensão do flagelo do desemprego".

O dirigente comunista deu como exemplo o Programa Fios, destinado a beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), a quem é pedido que trabalhem quatro horas por dia, cinco dias por semana, ou seja, 80 horas por mês, em troca de um subsídio de cem euros mensais.

"Uma medonha exploração do trabalho alheio, digna do século XIX, ou mesmo de épocas bem mais recuadas. Por que é que estes trabalhadores, desempregados sem culpa própria, podem ser discriminados desta maneira?", questionou?

No seu entender, estes programas ocupacionais criam "injustiças" e "desigualdades", além de "violarem" o princípio constitucional de "para trabalho igual, salário igual", ainda para cima estando já "generalizados" na Administração Regional.

A secretária regional da Presidência, Isabel Rodrigues, respondeu que os programas ocupacionais de que fala o PCP "garantem um rendimento" a quem tem acesso a eles, mantêm a ligação ao mundo do trabalho dos beneficiários e "melhoram a empregabilidade" destas pessoas, pelo que o seu "interesse" e "utilidade" não é estatístico, mas sim aquilo que proporcionam a que os frequenta.

Por outro lado, referiu que o Fios não é um programa ocupacional, mas sim "de formação".

Também José San-Bento, da bancada do PS, se insurgiu contra as críticas do PCP, em especial em relação aos números do desemprego nos Açores, lembrando, tal como fez também Isabel Rodrigues, que os dados estatísticos "têm vindo a melhorar" no arquipélago.

"Há uma clara melhoria da economia açoriana", defendeu o deputado comunista, acrescentando que, segundo o INE, "há mais empregados nos Açores e menos desempregados".

Números em relação aos quais Joaquim Machado, da bancada do PSD, tem uma leitura diferente, que insistiu em que apesar de melhorar, a taxa de desemprego nos Açores continua a ser a mais alta do país e mesmo "a segunda pior dos Açores dos últimos 12 anos".

Já Artur Lima, do CDS, disse que o desemprego e a pobreza nos Açores, "onde até existem pessoas a pedir esmola na rua", "devia envergonhar" o Governo Regional e a bancada do Partido Socialista.

Também Paulo Estevão, do PPM, se disse "chocado com o número de sem-abrigo e de pedintes que se multiplicam" nas cidades dos Açores e deixou um apelo ao Governo Regional: "Demitam-se e prestem assim o único serviço que estão em condições de prestar ao povo dos Açores".

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