PCP/Açores considera que via negocial não está esgotada

PCP/Açores considera que via negocial não está esgotada

 

Lusa/AO Online   Regional   26 de Jan de 2015, 13:33

O líder do PCP/Açores considerou que a via negocial não está esgotada no dossiê das Lajes, defendendo a ativação por parte do Estado português dos instrumentos necessários para salvaguardar os interesses nacionais.

 

“Da reunião da Comissão Bilateral prevista para os primeiros dias de fevereiro, onde se espera que os EUA formalizem a sua intenção e esclareçam os moldes em que pretendem levar a cabo os despedimentos [na base das Lajes], exige-se do Governo português uma posição firme de defesa dos trabalhadores da base e do interesse dos Açores e do país”, declarou Aníbal Pires, em conferência de imprensa em Ponta Delgada.

O dirigente comunista, que apresentava as conclusões da reunião da direção regional do partido, realizada no passado fim-de-semana, declarou que a decisão dos EUA em relação ás Lajes não tem de ser acatada, "à partida", como um "facto consumado".

Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram uma redução de 500 trabalhadores portugueses da base das Lajes até ao outono e de 500 militares e civis norte-americanos.

Aníbal Pires considerou que a intenção dos EUA, a concretizar-se, será uma “medida desastrosa” para a economia dos Açores.

Para o PCP/Açores, o Estado português tratou a questão laboral nas Lajes com “eminente desprezo, cedendo sempre, e com demasiada facilidade, a todas as chantagens e ‘manobras’” dos norte-americanos, criando “condições ideais para que vigorasse a unilateralidade e os EUA se sentissem autorizados a tomar esta atitude”.

“Impõe-se uma firme defesa dos trabalhadores da Base das Lajes, a garantia do respeito integral e atempado pelos seus direitos e a atribuição de compensações justas”, disse Aníbal Pires.

O dirigente regional dos comunistas não admite que os trabalhadores sejam “trocados por outras desconhecidas contrapartidas militares ou diplomáticas”.

Aníbal Pires, tal como o presidente do Governo dos Açores, considera que a revisão do acordo técnico entre Portugal e os EUA relativo às Lajes, admitida pelo primeiro-ministro, não é suficiente, preconizando a revisão de todo o Acordo Bilateral de Defesa e Cooperação em vigor entre os dois países, para salvaguardar as pretensões de ilha Terceira, regionais e nacionais.

O dirigente comunista alertou que a redução de 500 postos de trabalho portugueses na base da Lajes vai gerar a destruição de 1500 postos de trabalho gerados pela presença norte-americana na Terceira de forma indireta, o que considera um “aumento brutal” do desemprego que lançará a ilha num “ciclo vicioso de recessão e de mais desemprego sem fim à vista”.

O líder do PCP/Açores quer que seja assegurada, junto dos EUA, a “garantia dos investimentos estruturais” que compensem as limitações e vias de desenvolvimento que a ilha Terceira sofreu por a Força Aérea norte-americana estar ali instalada há setenta anos.

“Também tem que ser garantida a execução integral e célere do plano de descontaminação dos solos e aquíferos, eliminando o enorme passivo ambiental que fica para o concelho da Praia da Vitória”, acrescentou.


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