Oficina de malassadas lotada para aprender a confecionar doce típico dos Açores

Oficina de malassadas lotada para aprender a confecionar doce típico dos Açores

 

Lusa/AO online   Cultura e Social   2 de Fev de 2018, 14:41

Uma oficina de confeção de malassadas, já com lotação esgotada, decorre no domingo na freguesia das Sete Cidades para potenciar a divulgação daquele doce típico do Carnaval nos Açores.

“Tivemos mais inscrições de pessoas que não são das Sete Cidades. Esgotaram as vagas e já temos lista de espera”, afirmou Maria Emanuel Albergaria, responsável pela equipa do Património Cultural e Material da Coleção de Etnografia Regional do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel.

A Loja Eco-Atlântida, nas Sete Cidades, recebe no domingo a oficina de confeção de malassadas, numa iniciativa do Museu Carlos Machado em parceria com o Centro Regional de Apoio ao Artesanato, Cresaçor, Associação de Juventude da Candelária e a Junta de Freguesia local.

A iniciativa, das 10:30 às 16:00, surge no âmbito do projeto "Para Além da Paisagem", que visa afirmar o Museu Carlos Machado como espaço de território e valorizar o património local.

Maria Emanuel Albergaria adiantou que, durante o período da manhã, a formadora Maria de Jesus Costa, artesã das Sete Cidades, vai demonstrar todo o processo de confeção das malassadas.

"Depois, a massa ficará a levedar. E após o almoço vamos fritar as malassadas", explicou, salientando que a malassada é um doce muito conhecido na ilha de São Miguel nesta época de Carnaval.

A atividade, que tem um custo de cinco euros para não residentes e de 2,5 euros para residentes, está limitada a 20 participantes.

"O objetivo é mostrar a origem deste doce que é tradicional. Mas a iniciativa visa também valorizar os saberes da população das Sete Cidades", sublinhou Maria Emanuel Albergaria.

As malassadas serão confecionadas segundo a receita antiga da avó da artesã Maria de Jesus Costa, que além da cozinha realiza trabalhos em papel, escama de peixe, folha de milho, tecido, plástico e outros materiais.

Residente nas Sete Cidades, a artesã leva mais de dez anos de atividade e foi já formadora de outras oficinas de pão e queijo fresco.

Maria de Jesus Costa referiu à Lusa que não há segredos para confecionar "as famosas malassadas", mas admitiu que o sucesso está "na técnica de amassar".

"O que coloco é a farinha, ovos, açúcar, manteiga, fermento e aguardente. Já a minha avó colocava aguardente no final de tudo. Dizem que elas [as malassadas] aquecem e levantam a massa mais depressa", indicou.

E, "se tudo correr bem, em duas horas a massa está pronta", explicou a artesã.

De acordo com a responsável pela equipa do Património Cultural e Material do Museu, as malassadas são um doce típico de São Miguel, mas também existe uma espécie na Madeira.

"Aliás, a sua origem parece que terá sido naquele arquipélago e que terá sido trazida para São Miguel aquando da cultura da cana do açúcar", acrescentou.

Além desta oficina, o Museu Carlos Machado já promoveu outras de gastronomia com lotação esgotada.

A degustação de malassadas vai ser acompanhada de chá Gorreana ou chá branco que está a ser produzido pelos Serviços de Desenvolvimento Agrário de São Miguel nas Setes Cidades num centro experimental de agricultura biológica, disse Maria Emanuel Albergaria.

Além desta oficina, no sábado e domingo a Ribeira Chã acolhe mais um festival da malassada, no Centro Comunitário Padre João Caetano Flores, iniciativa da Junta de freguesia da Ribeira Chã, com o apoio da Câmara de Lagoa, em São Miguel.



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