Movimento alerta para uma morte e 300 feridos por ano em touradas nos Açores

Movimento alerta para uma morte e 300 feridos por ano em touradas nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   4 de Jul de 2014, 07:06

O Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA) alertou hoje para as "trágicas consequências" das touradas à corda na região que resultam, "no mínimo" numa morte e "mais de 300 feridos graves e ligeiros" por ano.

A 21 de junho, um homem ficou "gravemente ferido" depois de ter sido colhido por um touro durante uma tourada à corda na ilha de São Jorge e acabou por falecer enquanto esperava por meios da Força Aérea para ser transferido para o hospital de Ponta Delgada.

Num comunicado, hoje divulgado, o MCATA lamenta a morte do homem, de 62 anos, lembrando que aquele caso "vem somar-se" à de outro homem, de 78 anos, na Graciosa, em 2013, e à de uma terceira pessoa, no Pico, em 2012.

O movimento apela às entidades para que "atuem sem mais demora".

"Todas estas mortes inúteis e todos estes numerosos feridos, graves ou ligeiros, poderiam ser facilmente evitados com a definitiva abolição das touradas nos Açores e a sua substituição por eventos culturais que, longe de cultivar a violência e a morte, fomentassem a alegria de viver e o respeito pelas pessoas e pelos animais", alerta.

Segundo o MCATA, "a trágica estatística das mortes nas touradas à corda na região situa-se, no mínimo, numa pessoa morta por ano" e o número de feridos graves e ligeiros nos Açores "estima-se em mais de 300 em cada ano".

Estes são os casos que chegam a ser conhecidos, "apesar de, no geral, raramente serem noticiados", alerta.

O MCATA aponta ainda para os animais que "chegam a morrer durante as touradas" e outros que "acabam gravemente feridos".

O movimento lamenta também que no caso de São Jorge a notícia tenha sido centrada "exclusivamente nas dificuldades da evacuação médica", o que não contesta, mas frisa que "muitas vezes não se chegue a referir que a causa primeira da morte foram os ferimentos ocasionados durante uma tourada".

"Porém, longe deste entendimento, as touradas à corda continuam a receber apoios públicos por parte do Governo Regional e das autarquias açorianas. Os governantes fecham os olhos à realidade e parecem varrer os mortos e os feridos para baixo do tapete", aponta o movimento, alegando que "não é admissível haver mais nenhuma morte nem mais feridos por causa das touradas à corda".

 

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