Liga dos Direitos do Animal apela à denúncia de maus-tratos para evitar casos de malvadez

Liga dos Direitos do Animal apela à denúncia de maus-tratos para evitar casos de malvadez

 

LUSA/AO Online   Regional   12 de Abr de 2015, 14:39

A presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA) apelou hoje aos portugueses que denunciem situações de maus-tratos contra animais para evitar "casos de malvadez" como os de dois cães alegadamente atirados de arribas.

O Correio da Manhã noticia hoje que a Polícia Marítima e a GNR estão a investigar dois casos de animais que foram resgatados pelos bombeiros de arribas, em Ferragudo, por suspeita de crime de maus-tratos. Um dos casos ocorreu no sábado de manhã, tendo o animal ficado paralítico devido a uma queda de 20 metros, e o outro na terça-feira. Neste último caso, o cão terá sido lançado do topo do rochedo com um tijolo atado ao pescoço. São “autênticos casos de malvadez”, sendo muito difícil detetar quem praticou estes atos, lamentou hoje a presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal (LPDA), em declarações à agência Lusa. “Quem faz isto não tem o animal identificado com ‘microship’” e estas pessoas “acabam por ficar impunes porque não se sabe quem são”, disse Maria do Céu Sampaio. Observou ainda que a lei que criminaliza os maus-tratos contra animais, em vigor desde outubro, “não vai ter aplicação” nestes casos, “porque não se sabe quem é o dono, nem quem fez tal ato”. Para a responsável, estes casos evitam-se se a sociedade civil os denunciar, bastando, para isso, “ir à esquadra mais próxima”. Muitas vezes não o fazem porque têm medo de represálias, mas “não têm que ter medo, têm apenas de denunciar às forças de segurança e pedir sigilo porque ninguém pode dizer quem fez a denúncia”. “Tem que haver uma ação pedagógica junto das pessoas e depois apelar em força”, defendeu, frisando que estes dois casos “são já de sadismo”, sendo necessário “atuar imediatamente”. Apesar da notícia destas situações, Maria do Céu Sampaio disse que os casos de maus-tratos não têm crescido, ao contrário do abandono dos animais. Atualmente o que está a acontecer é que as pessoas já não abandonam os animais ao pé da porta. “Se o têm maltratado pegam nele e fazem casos como este”, lamentou. Maria do Céu Sampaio lamenta que as pessoas com dificuldades económicas não peçam ajuda às associações para poderem continuar com os seus cães e gatos. “Em lugar de pedir apoio às associações vão ao mais fácil”, disse, contando que a liga está a alimentar e a prestar cuidados de saúde a mais 50 animais de pessoas com dificuldade. Há outros casos em que as pessoas recorrem ao abandono porque “não têm os animais tratados” e têm medo de ser responsabilizados por isso. A lei que criminaliza os maus-tratos contra animais prevê que "quem, sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus tratos físicos a um animal de companhia é punido com pena de prisão”. Questionada pela Lusa sobre se já há condenações, a responsável disse que, “se houve, foi um ou dois casos” porque a lei é muito recente. “A maior parte dos casos ainda está em tribunal como é o caso do Simba”, um Leão da Rodésia, de cinco anos, que foi abatido a tiro em Monsanto, Idanha-a-Nova, e que gerou uma onda de revolta depois de o dono ter contado a história no Facebook.

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