Hotelaria dos Açores aposta no mercado 'online' para cativar clientes das 'low cost'

Hotelaria dos Açores aposta no mercado 'online' para cativar clientes das 'low cost'

 

Lusa/AO Online   Regional   31 de Jan de 2015, 09:34

A hotelaria dos Açores está a apostar nas reservas 'online' para cativar os clientes no âmbito da liberalização parcial do mercado aéreo entre a região e o continente, a partir de 29 de março.

“Nós estamos cientes de que a maioria das pessoas que viajam através das ‘low cost’ utilizam muito a internet, individualmente. A hotelaria da região tem estado a preparar-se ao longo dos últimos cinco anos com a sua estratégia ‘online’”, declarou à agência Lusa o delegado nos Açores da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), Humberto Pavão.

A partir de 29 de março, as companhias de baixo custo podem passar a assegurar ligações aéreas com Ponta Delgada, na sequência das novas obrigações de serviço público do transporte aéreo negociadas entre os governos da República e dos Açores.

As ligações aéreas com a ilha Terceira também foram liberalizadas, mas tanto a Ryanair como a Easyjet, que vão voar para Ponta Delgada, não estão disponíveis para assegurar aquela rota nesta fase.

Humberto Pavão referiu que a estratégia da hotelaria regional vai de encontro à estratégia ‘online’ das ‘low cost’, praticando-se o valor do quarto mais baixo se a reserva for feita com antecedência e subindo a tarifa em função do número de lugares disponíveis nos hotéis.

O responsável frisou que será o mercado a ditar os valores a praticar, como tem sido concertado entre os responsáveis dos hotéis.

Questionado sobre se os hotéis já estão a sentir nas suas reservas os efeitos da liberalização parcial do mercado, Humberto Pavão referiu que, muito embora seja difícil identificar como o cliente chega aos Açores, se está a registar cada vez mais reservas individuais, com maior antecedência, em detrimento das agências de viagens.

“Nós sabemos que os operadores turísticos trabalham muito em cima da hora. As pessoas, para aproveitarem as tarifas mais baratas nas ‘low cost’, reservam com muito mais antecedência e nos estamos a sentir que há uma maior procura de pessoas a reservar a título individual, mas não podemos afirmar que é por esta via”, declarou.

O responsável nos Açores pela AHP manifestou “alguma cautela” face à chegada das companhias aéreas de baixo custo, uma vez que mais de 90% dos turistas que chegam à região surgem através de operadores, por via de pacotes turísticos, utilizando o transporte aéreo regular, ou seja, a SATA e a TAP.

Humberto Pavão defende mesmo que o modelo de negócio das ‘low cost’ “não vai muito ao encontro da estratégia turística propriamente dita” que predomina nos Açores.

O líder dos hoteleiros dos Açores defende que a SATA e, eventualmente, a TAP, face à abertura do mercado aéreo, devem apostar mais na operação turística, que utiliza os voos regulares, deixando as ‘low cost’ desenvolverem a sua estratégia de preços.

Humberto Pavão espera que o grupo SATA não venha a entrar mesmo na “guerra de preços” com as ‘low cost’, porque esta é “difícil de ganhar”.

A propósito da capacidade de absorção dos passageiros dos voos ‘low cost’, a AHP afirma que o máximo que já se atingiu na ilha de São Miguel em termos de ocupação hoteleira, em pleno mês de agosto, foi, em média, 80%, sem contabilizar o turismo de habitação e os ‘hostels’.

“Nós temos capacidade para absorver a quantidade de voos anunciados pelas companhias ‘low cost’ e os programados pela SATA e pela TAP”, considerou o responsável


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