Governo dos Açores vai criar gestor de deslocação do doente

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Rui Luís

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O Governo dos Açores vai criar a figura do gestor da deslocação do doente, para centralizar as marcações dos atos clínicos, e fazer o levantamento dos equipamentos do sistema de saúde, com vista à sua otimização, foi hoje anunciado
 

"A deslocação de doentes e a deslocação de especialistas às ilhas sem hospitais é uma prioridade que já assumimos e que pretendemos otimizar”, começou por dizer o secretário regional da Saúde, Rui Luís, no parlamento açoriano, na Horta, ilha do Faial, no segundo dia de debate das propostas de Plano e Orçamento regionais para 2017.

Nesse sentido, Rui Luís defendeu que, “ao nível da deslocação de doentes, importa melhorar o sistema de referenciação e planificar o próprio processo da deslocação”, pelo que, “no seio dos recursos hospitalares, deverá ser criada a figura do gestor da deslocação do doente, que centralize as marcações dos atos clínicos dos vários serviços e organize com cada unidade de saúde de ilha a deslocação do utente por forma a otimizar os recursos e diminuir o tempo de ausência do doente da sua ilha de residência e do seu ambiente familiar”.

Quanto à deslocação de especialistas às ilhas sem hospitais, o governante afirmou que “já foi efetuado o levantamento das necessidades de consultas e exames em cada uma dessas ilhas e com objetivos devidamente quantificados”.

“Iniciou-se na semana passada a análise, em cada hospital [no Faial, São Miguel e Terceira], da disponibilidade de especialistas que possam, simultaneamente, satisfazer as necessidades identificadas e garantir os serviços em cada uma das suas instituições”, adiantou, garantindo disponibilidade “para aperfeiçoar a portaria de deslocação de especialistas”.

Sobre as listas de espera para cirurgia, Rui Luís reconheceu que a gestão “implica não só uma maior complementaridade entre os hospitais regionais e o restante sistema de saúde, mas também um melhor aproveitamento dos tempos cirúrgicos, mediante uma melhor gestão dos blocos operatórios”.

“Esta será uma premissa para que possamos alterar o limite de 25% da produção acrescida em cada hospital. Maximizada a utilização do bloco operatório em tempo normal por cada especialidade, poderá haver então recurso a produção acrescida, que permita também dar prioridade aos utentes há mais tempo em lista de espera, contribuindo para que as intervenções se realizem nos Açores e de preferência no serviço público”, acrescentou.

Defendendo “um olhar criterioso sobre os recursos disponíveis e sobre a alocação dos mesmos através da melhoria da sua monitorização e rentabilização”, o que “permitirá reduzir desperdícios”, o governante anunciou “o levantamento de equipamentos públicos e privados do Sistema Regional de Saúde, permitindo a otimização de recursos, quer ao nível da sua utilização e partilha, quer ao nível da sua manutenção”.

Rui Luís enumerou, ainda, um conjunto de investimentos em infraestruturas do Serviço Regional de Saúde e informou os deputados que está a ser analisada “a política de incentivos” à fixação de médicos no arquipélago.

“Será elaborada uma proposta que possa ser apreciada pelos sindicatos e pela Ordem dos Médicos e importa ponderar a possibilidade de conceder incentivos, para além dos financeiros, a nível de condições formativas e de investigação, ao nível da deslocação e alojamento, ao nível familiar e social”, acrescentou.