Governo dos Açores garante "viragem" na saúde em resposta a críticas da oposição

Governo dos Açores garante "viragem" na saúde em resposta a críticas da oposição

 

Lusa/AO Online   Regional   29 de Out de 2014, 16:23

A oposição açoriana considerou hoje que a acessibilidade ao Serviço Regional de Saúde (SRS) está pior e falta "planeamento" na sua gestão, mas para o Governo Regional, "os números" provam que a resposta melhorou e há uma "viragem" no setor.

A troca de argumentos ocorreu no plenário do parlamento dos Açores, na Horta, a propósito de uma interpelação ao executivo, agendada pelo deputado do PCP, Aníbal Pires, que considerou que a região tem um SRS "gerido à vista, sem estratégia e sem planeamento adequado" e, por outro lado, "orientado para o tratamento da doença e não para a promoção da saúde".

Esta última questão, acrescentou, está relacionada com "as carências crónicas e graves” de médicos de família.

Os argumentos do PCP foram secundados por toda a oposição, que genericamente considerou fracassadas as políticas que têm sido adotadas para atrair clínicos à região, para garantir que todos os açorianos têm acesso a médicos de família ou para combater listas de espera para cirurgia e consultas de especialidade.

PSD, CDS-PP e BE foram apontando, ao longo de várias horas de debate, que nas seis ilhas sem hospital há pessoas à espera há mais de um ano por uma consulta de especialidade por o atual Governo Regional ter "bloqueado as deslocações" de clínicos, que metade da população da Terceira não tem médico de família ou que em São Miguel é preciso esperar dois meses para marcar uma consulta no centro de saúde.

O Governo Regional "empurra" os açorianos para "os privados" e, ao mesmo tempo, "reduz os reembolsos", penalizando "os pobres", porque "só quem tem dinheiro" é que acede à saúde, considerou a deputada do BE, Zuraida Soares.

"O SRS é bom para quem tem acesso a ele. O problema são os milhares que não têm", acrescentou Luís Maurício, do PSD.

Por seu turno, Ana Espínola, do CDS-PP, disse que "conseguir uma consulta nos Açores é uma odisseia ao alcance de poucos".

Para o secretário regional da Saúde, Luís Cabral, a interpelação do PCP foi "feliz", por ocorrer "num momento de viragem do SRS".

"Após dois anos de reestruturação e organização dos serviços é hoje possível começar a notar uma melhoria na qualidade assistencial e na resposta dos serviços aos açorianos", disse, sublinhando que a "acessibilidade" é uma "preocupação de todos" e que "não se pode transmitir a ideia de que nada foi feito nos últimos anos".

Para sustentar as suas palavras, Luís Cabral levou números, como o aumento de médicos, nos últimos cinco anos, em 15% nos hospitais e 10% nas unidades de saúde de ilha ou o crescimento das consultas em 13% nos hospitais, "de 2012 para 2013", e em 6% nos centros de saúde, nos últimos dois anos.

Também nas cirurgias disse haver já "efeitos", como a redução para metade da lista de espera de ortopedia na Horta no espaço de um ano.

No que toca aos médicos de família, "também a situação tende a melhorar", garantiu, dizendo que neste momento há 22 internos em São Miguel (onde faltam 32 clínicos) e 13 na Terceira, onde faltam 14.

"Nem sempre este processo tem sido fácil. Por vezes algumas medidas podem até ser impopulares, mas são medidas que são necessárias para que se consiga uma maior justiça no acesso à saúde. (...) Também temos provado com estas medidas que tem sido possível dar melhores respostas, sem aumentar os custos do sistema", afirmou.

Na resposta às questões dos deputados, voltou a sublinhar que os Açores são a única região do país onde ainda há reembolsos e que para pedidos de consultas urgentes aos centros de saúde há neste momento em São Miguel "resposta no dia".

Já o PS fez a defesa das políticas do executivo açoriano, com vários deputados a sublinharem "o esforço" de financiamento do SRS, que tem dado resultados "ignorados" pela oposição.

Para os socialistas, o SRS "é muito bom" e "ao longo dos anos" tem visto aumentar os seus recursos humanos e respetiva diferenciação, o que tem paliado "a dificuldade da acessibilidade".



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