Governo dos Açores critica "negação da solidariedade europeia" ao setor leiteiro


 

Lusa/AO Online   Regional   24 de Jun de 2016, 17:48

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, considerou hoje ser uma "negação da solidariedade europeia" remeter para os Estados-membros e regiões os custos e a responsabilidade de apoiar o setor leiteiro.

 

Ao discursar na inauguração do XV Concurso Micaelense da Raça Holstein Frisia, no Parque de Exposições de São Miguel, Vasco Cordeiro disse que, ao “remeter para os Estados ou para as regiões os custos e a responsabilidade de apoiar o setor neste momento”, a União Europeia faz “depender da capacidade financeira de cada Estado-membro ou de cada região a intensidade do apoio que é prestado”.

“Dito de outra forma, isto é a negação da solidariedade e da responsabilidade das decisões que devem existir a nível europeu”, afirmou o chefe do executivo açoriano.

Vasco Cordeiro insistiu que são "insuficientes" e "mal direcionadas" as respostas que a nível europeu têm sido dadas ao setor, salientando que "o poder de decidir não pode estar de um lado e a responsabilidade de arcar com as consequências e as decisões de outro".

A este propósito, destacou o esforço que tem sido feito "com verbas regionais" para ajudar o setor a ultrapassar as dificuldades.

"As respostas nacional e regional devem existir, mas devem ser complementares a esta resposta europeia”, defendeu.

O presidente do Governo dos Açores anunciou que dentro em breve estará em curso “uma grande campanha de promoção de consumo de leite dos Açores" e avançou ainda que o secretário regional da Agricultura e Ambiente vai marcar presença, na segunda-feira, no Conselho de Ministros de Agricultura da União Europeia.

Integrada na delegação nacional, a presença do secretário açoriano pretende “fazer valer” uma “perspetiva de uma região que é ultraperiférica, mas que nesta componente tem um papel fundamental ao nível do setor leiteiro nacional, representando 30% da produção e 50% da transformação de queijo", frisou Vasco Cordeiro, que enumerou um conjunto de investimentos e apoio ao setor na atual legislatura.

O presidente da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita, voltou a salientar que o setor vive uma “situação dramática”, devido à “descida substancial do preço, baixa substancial do rendimento dos agricultores” e porque "não existem lideranças na Europa capazes e, muito menos na área da agricultura, de assegurar aquilo que são as estratégias da União Europeia em relação ao setor agrícola".

“A União Europeia acaba por ser um desastre autêntico naquilo que são as diretrizes que têm nos seus países. E nós somos o parente pobre de toda a fileira por essas razões”, sustentou o dirigente associativo.

O concurso micaelense da raça Holstein Frisia vai ter a concurso 240 animais de 80 explorações.

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