Futuro da cozinha portuguesa passa por consumo responsável e ensino às crianças

Futuro da cozinha portuguesa passa por consumo responsável e ensino às crianças

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   5 de Mai de 2017, 17:32

O futuro da gastronomia portuguesa passa pelo consumo responsável, respeito pela sazonalidade dos produtos e valorização dos pequenos produtores, defende um manifesto apresentado hoje em Lisboa, que reclama que as crianças aprendam a cozinhar "comida saborosa e saudável".

O “Manifesto para o Futuro da Cozinha Portuguesa” - ou “Manifesto 0.0” – foi hoje apresentado no final do terceiro simpósio para debater o tema “Cozinha Portuguesa – E Agora?”, no arranque da quinta edição do festival Sangue na Guelra, que juntou vários cozinheiros e especialistas em gastronomia.

“Temos orgulho no nosso país e na nossa tradição gastronómica e reconhecemos a riqueza da identidade da cozinha portuguesa. A nossa identidade gastronómica é a nossa origem, o que nos funda como cozinheiros(as), é o reflexo do nosso território mas também dos povos e culturas que a influenciam desde séculos até aos dias de hoje, contribuindo para a sua riqueza e diversidade”, lê-se no início do documento, que tem 11 pontos.

Os subscritores defendem o respeito pela sazonalidade dos produtos e os ciclos biodinâmicos da natureza, ao mesmo tempo que incentivam o consumo responsável e sustentável dos produtos e das espécies animais, da terra e do mar.

O manifesto reclama que todas as crianças têm “o direito de conhecerem a identidade da cozinha” portuguesa e de “aprenderem a cozinhar comida saborosa, saudável e de qualidade”, o que consideram ser “tão importante como aprender a ler e a escrever”.

“Reconhecemos o valor dos pequenos produtores, os produtos autóctones e produzidos localmente, fomentando a sustentabilidade dos modos de produção e procurando recuperar produtos esquecidos e diferenciadores do nosso território”, dizem ainda.

Os ‘chefs’ devem ter “a liberdade para criar e explorar novos caminhos, novos pratos, novos sabores”, até porque, sublinham, “o ato de cozinhar não se esgota na procura do bom sabor; a cozinha é cerebral, interventiva, criativa, subversiva”.

Mas, alertam, a criatividade não pode ser o objetivo final, “deve ser consciente e informada e exprimir um contributo novo para a nossa cozinha”.

A técnica é uma forma de “potenciar a linguagem individual de cada um”, mantendo o “respeito por uma filosofia alimentar sustentável e de valorização da identidade gastronómica nacional”.

“Desafiamos todos os cozinheiros, consumidores, produtores, fornecedores, empresários do setor, jornalistas, investigadores, críticos, artistas, pensadores, a assumirem-se como agentes de mudança e de promoção da cozinha portuguesa”, apela o manifesto, no último ponto.

Segundo os organizadores do festival, a empresa Amuse Bouche, este documento “pretende definir denominadores comuns de uma cozinha que fala muitas línguas, porque está viva e, desde sempre, aberta ao mundo, mas que não perde de vista a sua identidade”.

“Acreditamos que todos os portugueses têm direito a uma alimentação informada, responsável e de qualidade, e que nos compete, a todos, partilhar conhecimentos, proteger tradições e incentivar mudanças que promovam este objetivo comum”, referem.

Mas, alertam, subscrever este manifesto “significa assumir um compromisso” e lutar para que as suas propostas se concretizem “nas nossas casas, escolas, cozinhas, serviços, associações”.

O Sangue na Guelra, que vai na quinta edição, prossegue no fim de semana com um festival de comida de rua, com a participação de quase 30 cozinheiros nacionais e estrangeiros, no Hub Criativo do Beato, em Lisboa.

Em meados do mês, quatro restaurantes lisboetas recebem jovens talentos da gastronomia, com os menus dedicados aos peixes e mariscos da costa portuguesa e também às espécies de água doce.


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