Freguesia da Ajuda da Bretanha abre moinho de 200 anos ao público

Freguesia da Ajuda da Bretanha abre moinho de 200 anos ao público

 

Lusa/AO Online   Regional   7 de Jul de 2014, 15:14

Filho de um moleiro, João Miranda, de 69 anos, ajuda a manter viva a tradição da moagem na freguesia da Ajuda da Bretanha,que preserva "uma relíquia", um moinho de vento com 200 anos, aberto este verão de forma permanente.

 

Na costa norte da ilha de São Miguel, o Moinho do Pico Vermelho é um imóvel de interesse público e estima-se que tenha sido construído nos séculos XVIII ou XIX, sendo usado para moer grãos de milho que posteriormente eram transformados em farinha e depois em pão cozido nas habitações.

A sua reconstrução iniciou-se em setembro de 2011 e terminou em agosto de 2012, sendo propriedade da Junta de Freguesia em parceria com a Secretaria Regional da Cultura.

“Isto é a relíquia da freguesia. Esteve mais de 50 anos parado e abandonado”, afirmou à Lusa João Miranda, residente na freguesia e habituado a conviver "desde sempre" com a profissão de moleiro que o pai "abraçava".

Do local do Pico Vermelho, concelho de Ponta Delgada, onde se localiza o moinho de vento, João Miranda guarda também boas recordações, pois era a zona onde se juntavam "muitos rapazes".

“O moinho trabalhava mais no inverno do que no verão por causa do vento”, explicou João Miranda, reformado, mas que a partir de hoje estará de forma voluntária a dar apoio à Norte Crescente, Associação de Desenvolvimento Local, que ficará responsável este verão por manter o moinho aberto.

"Sempre que houver vento vou estar no moinho para explicar e dar a conhecer aos visitantes o processo de moagem", acrescentou.

Hoje não havia vento, mas o moinho abriu portas bem cedo.

"O objetivo é potenciar a vinda de turistas não só pela beleza arquitetónica da infraestrutura, mas também pela memória cultural que representa para a população a atividade", explicou Esmeralda Albernaz, técnica de turismo da Associação Norte Crescente.

Segundo Esmeralda Albernaz, o moinho do Pico Vermelho passa a estar aberto ao público, "entre as 10:00 e as 17:00, de segunda a sexta-feira, nos meses de julho e agosto, incluindo aos fins de semana no caso de excursões que são marcadas com um dia de antecedência".

“Este moinho é do tipo holandês e tem pouco mais de 200 anos. Tem muita história a nível paisagístico, cultural, histórico e arquitetónico e é um dos poucos moinhos de vento ainda existentes em São Miguel”, frisou ainda.

Além da beleza arquitetónica do imóvel de dois andares, o espaço integra ainda uma pequena exposição de artefactos ligados ao trabalho dos moinhos, como as caixas de medidas utilizadas pelo moleiro ou o seu traje e o da esposa, que ajudava o marido na tarefa.

No local, os visitantes ficam também a par da importância da cultura do milho, através de panfletos, com inúmeras curiosidades e factos históricos.

Em 1710, o milho foi introduzido nos Açores para substituir a cultura do pastel e os micaelenses recorriam ao milho das suas terras para realização de artesanato, assim como para consumo familiar.

Para o presidente da Junta de Freguesia da Ajuda da Bretanha, Bruno Correia, o moinho do Pico Vermelho "é um património histórico para a freguesia, representando por isso uma mais-valia para captar turistas que podem fazer uma paragem" no local a caminho das Sete Cidades, um dos principais pontos turísticos de São Miguel.

 

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