Federação das Pescas dos Açores concorda com interdição da pesca do goraz


 

LUSA/AO online   Regional   9 de Jul de 2015, 18:27

O presidente da Federação das Pescas dos Açores concordou hoje com a decisão do Governo Regional de interditar a pesca do goraz na segunda quinzena de julho, mas a cooperativa Porto de Abrigo critica a opção

"É claro que estamos de acordo com a solução que se encontrou, que julgamos ser a mais adequada dado o número, a percentagem [de goraz] que já está capturada até essa altura”, afirmou Gualberto Rita em declarações à Agência Lusa, acrescentando que “a maioria das associações está de acordo” quanto a esta opção.

O Governo dos Açores anunciou hoje a interdição para que a espécie seja capturada quando o seu valor no mercado for mais alto.

Os pescadores do arquipélago já capturaram este ano o correspondente a 68% do total dessa quota (cerca de 460 toneladas).

O presidente da Federação das Pescas dos Açores reconheceu que a medida terá impacto negativo nos rendimentos dos pescadores, mas considerou ser necessário atuar agora para que haja ainda capacidade de pesca do goraz no final do ano.

“O que gostaríamos era que não houvesse qualquer paragem, mas sabemos que isso é impossível dado o volume de captura até ao momento. Mais penalizador seria se nós não tivéssemos quota para pescar no final do ano, que é a altura em que o preço médio do goraz é mais alto”, afirmou Gualberto Rita, desvalorizando “vozes dissonantes”.

Em comunicado, a cooperativa Porto de Abrigo considerou que a medida vai afetar a generalidade dos pescadores, particularmente os das ilhas de São Miguel e Terceira, onde há maior número de tripulantes, trabalhadores de terra e dependentes das pescarias.

“Esta não é a opção mais correta. É de impossível aplicação às embarcações palangreiras e que não têm nenhuma possibilidade de usar artes dirigidas especificamente a outras espécies”, adianta o comunicado assinado pelo presidente, Liberato Fernandes, antigo presidente da Federação das Pescas dos Açores.

Liberto Fernandes acusou os sucessivos governos açorianos de “inércia” e responsabilidade pela “situação grave” de sobre-exploração do goraz e outras espécies demersais costeiras.

Segundo Liberato Fernandes, em 1994 e 1999 foram apresentadas propostas de aplicação de um plano de recuperação das espécies feitas pelo Departamento de Oceanografia e Pescas.

O goraz representa 7% do total de capturas nos Açores e 20% do seu valor.

O valor comercial do goraz é, por norma, mais baixo entre julho e outubro e entre meados de janeiro e fevereiro.

A União Europeia cortou este ano a quota do goraz para os Açores em 25% e decidiu novo corte de 25% para 2016.


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