Exportações devem ser prioridade em 2010


 

Lusa/Ao On Line   Nacional   15 de Jan de 2010, 05:34

O economista João Ferreira do Amaral considera que a "prioridade absoluta" do Orçamento do Estado para 2010, que é entregue este mês no Parlamento, deve ser o incentivo às exportações para "reduzir gradualmente o endividamento externo".

Em entrevista à Agência Lusa, o professor catedrático do ISEG afirma que "a prioridade, sobre todas as outras, é contribuir para aumentar as exportações, seja através de medidas de apoio fiscal ou de apoios financeiros, porque "é nas exportações que reside a possibilidade de reduzir gradualmente o endividamento externo, que é, neste momento, a grande condicionante para o nosso desenvolvimento", afirma.

Esta semana, o ministro das Finanças considerou "imperioso" não só manter os apoios à economia, mas também começar a reduzir o défice das contas públicas já este ano. Para João Ferreira do Amaral, a obtenção simultânea destes objectivos "depende da redução do défice que se queira" contemplar já este ano.

"A redução do défice, em 2010, deve ser ligeira porque a situação económica não permite uma forte redução, mas é importante que a redução exista para dar um sinal, e isso é compaginável com a manutenção dos apoios". O crescimento económico previsto para este ano (o Banco de Portugal avançou terça-feira com o valor de 0,7 por cento), "embora baixo, dará margem para alguma subida da receita, ao contrário do que aconteceu no ano passado, por isso é possível reduzir o défice", acrescentou o economista, concluindo que "não é possível quantificar essa redução sem ter os cálculos das previsões macroeconómicas" elaborados pelo Ministério das Finanças.

Certo é que os apoios do Estado à economia devem manter-se, pelo menos até meados do ano. "É perigoso retirar os apoios, porque a retoma é ainda muito ténue", diz Ferreira do Amaral. "Justifica-se manter as medidas e depois fazer uma avaliação a meio do ano, é prematuro fazê-lo agora".

Comentando a afirmação do Governo de que os funcionários públicos não terão um aumento superior à inflação, este ano, o professor universitário disse que o mais importante é a despesa total. "A despesa pública com pessoal é um ponto mais importante, e isso tem a ver com o número e o vencimento de funcionários, por isso deverá ser possível aumentar os trabalhadores do Estado, desde que o número de funcionários se reduza".

Se não houver uma "redução significativa, então o vencimento não poderá aumentar", defende o economista, para quem "é importante manter a despesa pública com pessoal em termos reais". Para isso, concluiu, "é preciso jogar com estas duas possibilidades".

Já sobre as negociações que o Governo começou na quinta-feira com os partidos, Ferreira do Amaral afirma que não deverão resultar na assunção de medidas impopulares. "As medidas impopulares são mais facilmente tomadas em coligações entre partidos, como aconteceu em 1983 [PS e PSD], em que os dois partidos formaram o Blcoo Central, mas agora o PSD não deverá estar disponível para negociar medidas impopulares", concluiu.

 


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