Estados Unidos e Canadá deportaram 1175 emigrantes desde 1987

Estados Unidos e Canadá deportaram 1175 emigrantes desde 1987

 

Lusa/AO online   Regional   25 de Set de 2012, 16:12

Os EUA e o Canadá deportaram para os Açores 1175 emigrantes portugueses nos últimos 25 anos, indica um estudo apresentado esta em Ponta Delgada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores

O documento, que descreve os efeitos e causas sociais da emigração nesta região autónoma, baseia-se em dados fornecidos pelos dois países, principais destinos da emigração dos Açores, e identifica que os EUA são o "principal emissor de cidadãos deportados" para o arquipélago.

As deportações dos EUA representam 78,7 por cento do total das que foram contabilizadas até ao primeiro trimestre de 2012, sendo que 12 por cento das deportações a partir de território norte-americano ocorreram até 1996 e 31 por cento entre 1997 e 2001.

Entre EUA e Canadá, os maiores fluxos em deportações para os Açores aconteceram em 1999, 2006 e 2008, sobretudo devido à implementação de políticas de imigração "mais restritivas".

"Apesar dos fluxos de saída do arquipélago terem diminuído desde os finais da década de oitenta, estando actualmente na ordem dos três dígitos, verificámos que a intensidade da deportação tem vindo gradualmente a aumentar", lê-se no estudo.

Em 2010, os estados de Massachussetts, Califórnia e Rhode Island concentravam mais de 66 por cento da população portuguesa nos EUA e das deportações.

No Canadá, que representa 21 por cento das deportações do continente norte-americano para os Açores - e que registou o primeiro dos 1.175 casos contabilizados - a esmagadora maioria foi proveniente da província de Ontário (79,4%).

O documento refere que, desde 1930, as autoridades dos EUA concederam 280 mil autorizações de residência legal permanente a cidadãos portugueses, supondo-se que a esmagadora maioria provenientes dos Açores, sobretudo nas décadas de 60 e 70.

Os autores do estudo escrevem, contudo, existir uma "quebra acentuada" na última década, em que essas autorizações não ultrapassaram as 12.200.

Além disso, entre 1991 e 2011, cerca de 68.750 portugueses naturalizaram-se norte-americanos, com o pico a registar-se em 1996, com 6.525 naturalizações.

Ainda assim, trata-se de um processo que "tem vindo a decrescer" e passou de 4.728 pedidos em 2000 para pouco mais de 1.400 no ano passado.

No Canadá, em 2006, estavam identificados cerca de 150.400 cidadãos nascidos em Portugal já com o estatuto de residente legal permanente e 1.350 residentes não permanentes, ou seja com vistos de trabalho ou de estudo.

Entre os que possuíam estatuto de residente legal, o estudo identifica que sete por cento chegaram ao Canadá antes de 1960, número que na década seguinte chegou aos 44.600.

No período entre 1980 e 2000, entraram no Canadá cerca de 27 por cento do total de portugueses atualmente com estatuto de residência legal, percentagem que decresceu para 2,9 por cento em 2010.

O número de naturalizações ao longo da última década também tem vindo a decrescer no Canadá, sendo o valor mais baixo registado em 2010, com 847 casos.


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