BES

Banco de Portugal anuncia injeção de 4.900 ME e separa banco bom de mau

Banco de Portugal anuncia injeção de 4.900 ME e separa banco bom de mau

 

LUSA/AO online   Economia   3 de Ago de 2014, 22:36

O Banco de Portugal anunciou hoje um plano de capitalização do Banco Espírito Santo (BES) de 4.900 milhões de euros e a separação dos ativos tóxicos ('bad bank') dos restantes que ficam numa nova instituição, o Novo Banco

O capital é injetado no BES através do Fundo de Resolução bancário. No entanto, como este fundo foi criado há pouco tempo e só tem 380 milhões de euros, a solução encontrada passa por ir buscar o valor restante ao dinheiro da 'troika' destinado ao setor financeiro, em que ainda estão disponíveis 6,4 mil milhões de euros.

Assim, estima-se que virá do dinheiro da 'troika' entre 4.400 a 4.500 milhões de euros, através de um empréstimo ao fundo de resolução, existindo também uma contribuição extraordinária dos outros bancos que operam em Portugal. Esta ainda está a ser negociada e poderá ascender a cerca de 100 milhões de euros.

O Banco de Portugal analisou os ativos do BES e dividiu-os, colocando os ativos problemáticos no chamado 'bad bank' ('banco mau'), o qual terá uma administração própria para os gerir e não terá licença bancária.

Da lista de ativos tóxicos constam, por exemplo, a participação maioritária no BES Angola.

O Banco de Portugal pretende, com esta medida, minimizar os riscos com o que se passa no BES e no Grupo Espírito Santo, com as perdas a serem assumidas pelos acionistas do BES e os seus credores subordinados. Os acionistas fica com um crédito sobre o 'bad bank' que poderão eventualmente recuperar se for realizado dinheiro com os ativos tóxicos.

Já para o chamado 'banco bom', que se designará de Novo Banco, é "transferido o essencial da atividade até aqui desenvolvida pelo Banco Espírito Santo", disse hoje o governador do Banco de Portugal.

Esta nova instituição será presidida por Vítor Bento, que já havia substituído o líder histórico Ricardo Salgado na liderança do BES.

"Não são transferidos para o novo banco ativos problemáticos ou a descontinuar, nomeadamente as responsabilidades de outras entidades do Grupo Espírito Santo que levaram às perdas recentemente divulgadas", afirmou hoje à noite Carlos Costa.

Para o Novo Banco, que é totalmente detido pelo fundo de resolução, migram todos os trabalhadores, assim como restantes recursos, caso das agências.

O Novo Banco arranca a sua atividade esta segunda-feira, para já ainda com a imagem do BES, com um rácio de capital ‘common equity' de 8,5%, acima dos 7% exigidos pelo Banco de Portugal.

A 30 de junho, o BES tinha um rácio de capital de apenas 5%, abaixo do mínimo considerado necessário para garantir a solvabilidade de uma instituição financeira.

A administração do Novo Banco tem agora a tarefa de encontrar investidores que queiram entrar no capital da instituição.



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