Agência Europeia de Segurança Aérea recomenda duas pessoas no 'cockpit'


 

Lusa/AO online   Economia   27 de Mar de 2015, 16:29

A Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA) recomendou a presença em permanência de dois membros da tripulação nos 'cockpit' dos aviões, na sequência do acidente do Airbus A320 da Germanwings.

 

Numa "recomendação temporária" divulgada no seu 'site', a agência afirma que "as companhias devem assegurar que pelo menos dois tripulantes, incluindo pelo menos um piloto qualificado, estejam no 'cockpit' durante todo o voo".

Para a EASA, as companhias devem "reavaliar os riscos (...) associados ao facto de um membro da tripulação abandonar o 'cockpit' devido a necessidades operacionais ou fisiológicas".

A agência precisa que a recomendação decorre da "informação atualmente disponível" sobre "o dramático acidente do voo 4U 9525 da Germanwings" e que "pode ser revista à luz de qualquer nova informação relativa ao acidente".

"Enquanto ainda estamos a manifestar o nosso pesar pelas vítimas, todos os nossos esforços devem centrar-se em aumentar a segurança de passageiros e tripulações", afirma o diretor-executivo da EASA, Patrick Ky, citado no texto.

A Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA), com sede em Colónia (Alemanha), é a agência da União Europeia (UE) responsável pela regulação da aviação civil.

A legislação europeia atual não obriga a que haja sempre duas pessoas no 'cockpit'.

A blindagem da porta do 'cockpit' e a possibilidade de ser bloqueada voluntariamente por dentro foram medidas adotadas à escala internacional após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, precisamente por questões de segurança contra possíveis ameaças vindas do exterior da cabine.

Fontes comunitárias disseram hoje que esta medida é "inquestionável em matérias de segurança" e que, graças a ela, se evitaram muitos ataques.

Os peritos europeus explicaram ainda que na UE não é exigido que haja duas pessoas permanentemente no 'cockpit' porque se utiliza um sistema de câmaras de segurança, conhecido como CCTV, que permite ao piloto e ao copiloto ver quem está do outro lado da porta desde os seus lugares.

Noutras partes do mundo não existem estas câmaras, pelo que é importante que haja sempre uma segunda pessoa na cabina de pilotagem, acrescentaram, negando que nos Estados Unidos essa seja uma medida obrigatória.

Segundo as mesmas fontes, a aplicação da recomendação depende das companhias aéreas.

A análise da gravação dos sons do 'cockpit' do avião da Germanwings que se despenhou nos Alpes franceses concluiu que o piloto se ausentou do 'cockpit', provavelmente para usar a casa de banho, e foi impedido de voltar a entrar pelo copiloto, que bloqueou a porta.

Nesse período, o copiloto acionou deliberadamente o processo de descida do avião, ignorando as pancadas na porta, as tentativas de comunicação da torre de controlo e os alarmes do próprio aparelho.

O avião acabou por embater numa montanha, matando todas os 144 passageiros e seis tripulantes a bordo.


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