Zona central de S. Miguel mantém atividade sísmica "ligeiramente acima" dos valores de referência

Zona central de S. Miguel mantém atividade sísmica "ligeiramente acima" dos valores de referência

 

Arthur Melo   Regional   12 de Out de 2011, 17:55

A atividade sísmica no sistema do Fogo-Congro, na parte central da ilha de s. Miguel, nos Açores, continua a merecer a atenção dos especialistas, registando uma frequência de eventos “ligeiramente acima” dos valores de referência

“A situação mantém-se, o número de microssismos continua ligeiramente acima dos nossos valores de referência”, afirmou João Luís Gaspar, do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG) da Universidade dos Açores, em declarações à Lusa.

O especialista referiu que se trata de “sismos de muito fraca magnitude”, acrescentando que “nenhum dos que foram registados até agora foi sentido pela população”.

Os sismos estão localizados numa zona da ilha de S. Miguel entre a Ribeira Grande e a Maia, na costa norte, e Água de Pau e Vila Franca do Campo, na costa sul, salientando João Luís Gaspar que se trata de uma área onde “ocorrem frequentemente episódios de maior índice de sismicidade”.

“É uma situação recorrente”, salientou, recordando que a última crise ocorreu em 2005, teve uma “tipologia parecida” com a que está agora a ocorrer, mas foi “mais forte”.

João Luís Gaspar escusou-se a prever qual pode ser a evolução desta crise, recordando que “em sismologia não há previsões”, mas admitiu que “não se pode eliminar a possibilidade de vir a ocorrer um sismo que venha a ser sentido pela população”.

“Não quer dizer que vá acontecer, mas apenas que não se pode eliminar essa possibilidade”, frisou.

O Sistema vulcanotectónico do Fogo-Congro é, segundo informações disponíveis no sitio do CVARG na Internet, uma das mais importantes áreas sismogénicas do arquipélago dos Açores, já que ali se acumulam tensões que resultam do jogo das placas litosféricas Euroasiática, Africana e Americana.

Por essa razão, mesmo em períodos considerados calmos, este sistema regista, em média, três a cinco microssismos por dia, surgindo, de tempos a tempos, crises sísmicas mais importantes, como as que ocorreram em 1989 e em 2005.

A estrutura do Fogo-Congro representa uma setor emerso de uma das mais ativas zonas de fratura do Atlântico Norte, que se prolonga desde leste de Santa Maria até à Crista Médio-Atlântica, que passa a oeste da Graciosa e do Faial.

A história geológica da ilha de S. Miguel está marcada desde o seu povoamento, no século XV, pela ocorrência de sismos e erupções vulcânicas, tendo o sistema Fogo-Congro registado duas importantes ocorrências.

A primeira em 1522, quando um terramoto seguido por escorregamentos de terras e um tsunami destruiu Vila Franca do Campo.

Mais tarde, em 1563, uma erupção explosiva centrada no interior da caldeira produziu cinzas que se estenderam até ao Nordeste, enquanto outra explosão emitiu lavas que correram pelo lado norte e destruíram a zona da Ribeira Seca.


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