Vitória de Trump trará "fortes períodos de incerteza" nos mercados

 Vitória de Trump trará "fortes períodos de incerteza" nos mercados

 

Lusa/AO online   Economia   9 de Nov de 2016, 11:26

O professor catedrático de Gestão Vítor Gonçalves antecipou hoje "fortes períodos de incerteza" nos mercados na sequência da eleição de Donald Trump como Presidente dos EUA e admitiu que Portugal pode sofrer consequências, nomeadamente nos juros da dívida.

 

Em declarações por telefone à Lusa, o presidente do departamento de Gestão do Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, admitiu que "ainda é muito difícil antever" quais serão as consequências económicas da eleição de Donald Trump.

"O que vamos viver desde já é, nos próximos tempos, fortes períodos de incerteza. Os mercados estarão expectantes, vão estar com menor apetite para o risco, vai haver uma penalização do investimento em ações da dívida pública, principalmente dos países europeus periféricos", previu.

O especialista afirmou por isso que a situação portuguesa pode sofrer com esse cenário: "Obviamente que esta situação de incerteza quanto ao futuro para nós, em Portugal, não é vantajosa".

Embora seja impossível afirmar quando é que essa incerteza se vai dissipar, Vítor Gonçalves notou que "Trump mostrou, no discurso de vitória, uma postura muito diferente da que teve durante a campanha".

"Ele, que durante a campanha se apresentava como uma figura machista, racista, xenófoba, como um candidato antissistema, apresentou-se como um homem muito mais moderado, agregador, conciliador e procurou serenar os ânimos. Disse que seria o Presidente de todos os americanos", recordou.

Se essa for a sua nova postura, se concretizar algumas das propostas que anunciou, nomeadamente, dinamizar o investimento público, em infraestruturas, se criar milhões de empregos, será positivo para a economia mundial, ressalvou o académico português.

"Se assumir uma postura de um republicano mais responsável do que aquilo que apresentava na campanha, teremos o sistema a funcionar nos EUA, algo mais à direita, mas sem convulsões", antecipou.

Ainda assim, Vítor Gonçalves afirmou-se expectante, nomeadamente sobre as medidas que serão tomadas na área financeira: "Não sabemos que a política de juros da Reserva Federal vai continuar, tinha dito que não continuaria. [Trump] vai travar as importações chinesas? Os EUA vão abandonar o acordo de Paris que foi assinado recentemente sobre o aquecimento global? Vai terminar o acordo com o Irão? As reformas na área da saúde vão terminar, nomeadamente o Medicare? E a política de comércio externo? Vai haver aumento de barreiras à entrada no mercado norte-americano", questionou.

Se Trump levar à prática muitas destas ideias, "não será benéfico para a Europa nem para Portugal", afirmou o professor de Gestão, mostrando-se no entanto confiante de que o futuro Presidente dos EUA "vai suavizar algumas das posições".

"Tenho receio, como cidadão europeu e português, que algumas dessas coisas possam vir a ser implementadas, mas quero acreditar que depois da vitória [Trump] vai assumir-se como republicano responsável", concluiu.


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