Vasco Cordeiro classifica de "violação grosseira" do acordado postura dos EUA

Vasco Cordeiro classifica de "violação grosseira" do acordado postura dos EUA

 

Lusa/AO Online   Regional   17 de Abr de 2015, 17:07

O presidente do Governo dos Açores classificou hoje como "violação grosseira" do acordado na última reunião da Comissão Bilateral Permanente a decisão dos Estados Unidos de avançarem, esta semana, com o processo de redução de trabalhadores na base das Lajes.

“O facto, ao que tudo indica, de a Força Aérea dos Estados Unidos ter decidido avançar com o processo, com a implementação daquilo que já havia anunciado para a base das Lajes, constitui uma violação grosseira daquele que foi o espírito da última reunião da comissão bilateral permanente”, afirmou Vasco Cordeiro aos jornalistas, após uma audiência com o embaixador da Indonésia em Portugal.

Os trabalhadores portugueses da base das Lajes, na ilha Terceira , foram esta semana oficialmente notificados da intenção dos EUA de reduzirem o efetivo militar e civil naquela infraestrutura.

A última Comissão Bilateral Permanente decorreu em Lisboa no dia 11 de fevereiro, tendo os EUA e Portugal concordado em reforçar as conversações sobre as Lajes antes da Comissão Bilateral Permanente extraordinária que está a ser agendada para o futuro próximo em Washington.

Vasco Cordeiro afirmou que o que aconteceu esta semana “parece ser uma tentativa da parte dos Estados Unidos de consumarem, contra a vontade de Portugal, o processo” e, tal como o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), o Governo dos Açores acompanha o desenrolar da situação e “manifesta desagrado” perante esta postura norte-americana.

Na quarta-feira, o MNE divulgou ter convocado o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Robert Sherman, para falar sobre a intenção norte-americana de dar início ao processo de redução de postos de trabalho nas Lajes.

Também o vice-primeiro ministro português já disse que Portugal sentiu o primeiro impacto laboral nos Açores, devido à decisão dos Estados Unidos de reduzir a sua presença na Base das Lajes.

"Ontem [quarta-feira] não foi um dos melhores momentos das nossas relações bilaterais, porque tivemos os primeiros efeitos laborais nos Açores", disse Paulo Portas.

Segundo o presidente do Governo dos Açores, os acontecimentos recentes confirmam “um conjunto de alertas feito por várias vezes sobre a forma como este processo está a decorrer injusta e injustificadamente atentatório da dignidade da relação entre dois países”.

Na abertura do IV Fórum Franklin D. Roosevelt, que decorreu a 09 de abril nas Lajes do Pico, O presidente do Governo dos Açores pediu aos EUA para, no caso da base das Lajes, honrarem a histórica relação de "lealdade e respeito mútuo" que existe entre norte-americanos e portugueses.

Face aos novos desenvolvimentos neste processo, Vasco Cordeiro afirmou hoje que “estas coisas não podem ficar apenas pela conversa”, apesar de não ter explicitado quais as consequências que deveria ter a postura norte-americana.

“Há um conjunto de diligências que acredito estejam em curso e, enfim, para já, queria apenas dar nota desta forma como vejo o assunto”, referiu Vasco Cordeiro.

Na segunda-feira, a Comissão Representativa dos Trabalhadores da base das Lajes e o Comando da Zona Aérea dos Açores foram notificados oficialmente pelo Comando norte-americano sobre o arranque do processo de redução de postos de trabalho.

O presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadores portugueses na base (CRT), Bruno Nogueira, afirmou à Lusa, na terça-feira, que a comissão tinha reunido nesse mesmo dia com o comando norte-americano na base.

O representante dos trabalhadores não divulgou o conteúdo do memorando, mas adiantou que foi comunicado pouco mais do que a intenção de redução.

Na última reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos, que decorreu em Lisboa, a 11 de fevereiro, foi decidido que seria realizada uma reunião extraordinária entre maio e junho, em Washington, para tratar exclusivamente da redução na base das Lajes, com ênfase para as questões laborais.

Os EUA pretendem reduzir este ano o efetivo que têm nas Lajes e dispensar cerca de 500 trabalhadores portugueses.


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