Universidade dos Açores estuda pastagens para perceber onde se produz leite com mais iodo

Universidade dos Açores estuda pastagens para perceber onde se produz leite com mais iodo

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Set de 2015, 08:29

A Universidade dos Açores vai estudar as pastagens da ilha de São Miguel, a partir de 2016, para perceber onde se produz leite com maior e menor concentração de iodo, dada a carência deste elemento químico entre a população.

 

O projeto científico, a desenvolver durante três anos, está a cargo da equipa liderada pelo professor Armindo Rodrigues, do departamento de Biologia da academia, e será candidatado, até ao final do mês, a financiamento comunitário.

A iniciativa visa “perceber quais são as zonas da ilha mais ricas e menos ricas, as que têm maior carência em iodo e naquelas em que há maior concentração de iodo, perceber se esse iodo passa ou não para as vacas e destas para o leite”, afirmou Armindo Rodrigues, em declarações à Lusa, acrescentando que há países europeus, como a Alemanha e a Holanda, que já dão suplementos às vacas para terem leite com os níveis de iodo recomendados.

O iodo é um elemento químico que existe na natureza e que se revela fundamental para o funcionamento da tiroide e para o desenvolvimento do sistema nervoso durante a fase fetal e nos primeiros anos de vida de uma criança. Nos Açores, as grávidas já tomam suplementos com iodo.

O investigador adiantou que os estudos preliminares já realizados indicam que a distribuição de iodo pelos solos da ilha de São Miguel é “bastante heterogénea”, pelo que serão estudadas “várias pastagens, em várias zonas” da maior ilha açoriana, onde residem mais de cem mil pessoas.

“Um dos produtos que geralmente é utilizado nas populações humanas para compensar a falta de iodo é o leite. Vamos analisar solos da ilha de São Miguel e perceber que nuns sítios há maior concentração de iodo e, noutros, concentrações muito baixas. A nossa questão é perceber se isso também se vai refletir - provavelmente refletirá - na qualidade do leite”, referiu Armindo Rodrigues, acrescentando que este conhecimento trará benefícios para a população, para a lavoura e para a indústria do leite.

Segundo o investigador, o projeto já foi dado a conhecer à Associação Agrícola de S. Miguel e à Cooperativa Unileite, uma das maiores indústrias de lacticínios na região, tendo ambas manifestado interesse, uma vez que em causa está a produção de um “produto premium”, com grande valia em termos económicos, e a possibilidade de passar a dar suplementos em pastagens com menos iodo.

Armindo Rodrigues explicou que as ilhas “são montes que emergem do fundo oceânico e os sedimentos do fundo do oceano acabam por não conseguir enriquecer o ambiente terrestre em iodo”. Além disso, “não há hábito de comer algas e o próprio rossio do mar junto à costa acaba por ser lixiviado devido à grande quantidade de pluviosidade nas ilhas”.

Um estudo científico da Universidade dos Açores, publicado em agosto e que envolveu cerca de 350 crianças em idade escolar da ilha de Santa Maria e das freguesias da Ribeira Quente e Furnas, em São Miguel, demonstrou que há um “carência de iodo relativamente grave” nas crianças micaelenses.

Estas e outras questões vão ser abordadas na conferência “Vulcanismo e Saúde”, que Armindo Rodrigues profere na quarta-feira na Igreja do Núcleo de Santa Barbara do Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada.

O investigador fará uma reflexão sobre a história da geologia médica, uma ciência “relativamente recente”, mas de “grande importância”, dado que a qualidade das águas, solos ou ar em que as pessoas habitam se reflete na saúde.

Esta iniciativa está integrada num ciclo de conferências do museu, no âmbito da exposição “Natureza em Diálogo”, que está patente no Núcleo de Santa Bárbara até 18 de outubro.


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