Tsipras queixa-se de tratamento diferente dado a Portugal e Irlanda

Tsipras queixa-se de tratamento diferente dado a Portugal e Irlanda

 

Lusa/AO online   Economia   24 de Jun de 2015, 12:19

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, lamentou a "repetida rejeição" de medidas propostas por Atenas aos seus credores com peso equivalente em termos orçamentais, apontando que tal "nunca aconteceu com Irlanda nem Portugal".

 

Em mensagens divulgadas na sua conta de rede social “twitter”, horas antes do início de uma reunião decisiva do Eurogrupo sobre a Grécia, Tsipras considera que esta “posição invulgar” de certas instituições “parece indicar que, ou não há interesse num acordo, ou que estão a ser protegidos interesses especiais”.

“A repetida rejeição de medidas equivalentes por certas instituições nunca aconteceu antes, nem com a Irlanda, nem com Portugal”, começou por escrever Tsipras, acrescentando então que essa atitude pode ser interpretada como a falta de vontade em ser alcançado um compromisso.

Tsipras não precisa quais as “determinadas instituições” que alegadamente têm rejeitado repetidamente propostas do Governo grego, mas vários ministros do seu executivo já apontaram publicamente o dedo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) - com quem Atenas tem negociado, além da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE) -, tendo recentemente o próprio primeiro-ministro grego acusado a instituição liderada por Christine Lagarde de “responsabilidade criminosa” na Grécia.

Em causa estará a inflexibilidade do FMI em aceitar propostas alternativas apresentadas pelo Governo grego com idêntico impacto orçamental, as chamadas “medidas equivalentes”, um procedimento normal nas negociações durante as revisões dos programas de assistência, e a que Portugal recorreu por diversas vezes, para substituir medidas previstas no memorando de entendimento e negociadas com a 'troika', como por exemplo aquelas chumbadas pelo Tribunal Constitucional.

A posição crítica de Alexis Tsipras ocorre antes de uma nova reunião dos ministros das Finanças da zona euro, considerada decisiva para se alcançar um acordo de última hora com Atenas, que afaste o cenário de uma saída da Grécia da zona euro (“Grexit”).

Numa semana decisiva e “recheada” de reuniões em Bruxelas, à medida que se aproxima rapidamente a data limite para um acordo – o atual programa de assistência à Grécia expira a 30 de junho, data em que Atenas deve também pagar 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) –, o Eurogrupo tem a sua segunda reunião no espaço de três dias, para apreciar as mais recentes propostas do Governo de Tsipras, que chegaram a Bruxelas na segunda-feira de manhã.

A reunião do fórum de ministros da zona euro de segunda-feira, assim como a cimeira de chefes de Estado e de Governo dos 19 Estados-membros do euro realizada no mesmo dia, foram inconclusivas, porque não houve tempo para uma avaliação detalhada das últimas propostas das autoridades gregas, que foram, no entanto saudadas, pela generalidade dos credores internacionais, que, numa primeira análise, as consideraram “finalmente” uma “boa base” para um acordo.

Os ministros das Finanças da zona euro, que se reúnem hoje a partir das 19:00 em Bruxelas (18:00 de Lisboa), num encontro que se prevê longo, irão discutir um eventual compromisso já com base na apreciação mais aprofundada levada a cabo desde segunda-feira pelas instituições envolvidas nas negociações, Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI.

Um compromisso em torno do programa de assistência financeira a Atenas, que possa levar ao desbloqueamento da última tranche do “resgate”, de 7,2 mil milhões de euros – essencial para as autoridades gregas conseguirem honrar atempadamente os seus compromissos -, poderá depois ser aprovado ao nível de líderes na cimeira de chefes de Estado e de Governo agendada para quinta e sexta-feira, também na capital belga.

Portugal estará representado na reunião do Eurogrupo pela ministra Maria Luís Albuquerque e na cimeira de líderes pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que já participaram nas reuniões de segunda-feira

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