Trinta e cinco militantes bascos começaram a ser julgados por apoio à ETA


 

Lusa/AO online   Internacional   3 de Dez de 2015, 14:18

Trinta e cinco militantes pela independência basca acusados de terem participado em ações políticas da organização terrorista ETA refutaram a acusação no início do seu processo judicial, afirmando, pelo contrário, que contribuíram para a paz no País Basco.

A justiça espanhola acusa as 35 pessoas - entre as quais dois franceses - por terem "lutado no braço político" da ETA entre 2005 e 2008. Serão julgados até março de 2016, depois de oito anos de espera e de vários adiamentos do processo.

Entre as atividades políticas pelas quais respondem os 35 acusados, incluem-se a autoria e publicação de artigos, conferências de imprensa e encontros políticos realizados depois da interdição do partido Batasuna e de duas outras formações políticas independentistas - o Partido Comunista de las Tierras Vascas (PCTV) e o Acción Nacionalista Vasca (ANV) - consideradas "braços" da ETA.

Caso venham a ser condenados, incorrem em penas entre sete e 10 anos de prisão e proibição de exercer cargos públicos durante pelo menos dez anos.

Os juízes da Audiência Nacional (tribunal especial espanhol para crimes complexos como os financeiros e económicos e os casos de terrorismo) vão assim julgar dirigentes históricos do Batasuna como Pernando Barrena e Juan José Petrikonera. Os 35 acusados compareceram hoje nas instalações da Audiência Nacional em San Fernando de Henares (15 quilómetros a leste de Madrid) com uma bandeira com os dizeres "No Más Juicios Políticos" (Não mais julgamentos políticos).

Pernando Barrena qualificou o processo como "perseguição política" e comparou-o ao Processo de Burgos, que se iniciou faz precisamente hoje 45 anos, no qual - disse - "também se processou militantes políticos bascos pelo seu trabalho político".

"Vão julgar 35 militantes bascos pelo seu trabalho político realizado entre os anos 2005 e 2007", uma "clara perseguição política na medida em que acusam as pessoas do grave delito de [...] abrir as portas ao novo cenário de paz e de normalização política que ainda é incipiente no País Basco", salientou o antigo dirigente do Batasuna.

Barrena sublinhou que os militantes chegam à Audiência Nacional "orgulhosos e orgulhosas do trabalho político realizado nesses anos".

"Acreditamos que esse trabalho político realizado em nome da esquerda 'abertzale' pelas pessoas aqui presentes tem muito a ver com o atual estado das coisas", concluiu.

O partido Batasuna foi ilegalizado em Espanha desde 2003.

A ETA (Euskadi ta Askatasuna, que significa País Basco e Liberdade) organizou e realizou atentados terroristas em Espanha durante 40 anos, sendo considerada responsável pela morte de 829 pessoas. A organização renunciou à violência em 2011, mas ainda não se desfez.

As autoridades espanholas têm vindo a capturar os seus principais líderes, mas a ETA continua a exigir negociações sobre a libertação de cerca de 400 dos seus elementos e antigos elementos, atualmente em prisões espanholas.


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