Trabalhadores da TAP dizem que perturbações são custo da intenção de privatizar

Trabalhadores da TAP dizem que perturbações são custo da intenção de privatizar

 

Lusa / AO online   Economia   19 de Jul de 2014, 19:48

A comissão de trabalhadores da TAP considerou hoje que as perturbações na companhia aérea resultam da falta de investimento na empresa e do crescimento desproporcional da rede com o objetivo de tornar a empresa "mais apetecível" para a privatização.

 

Em entrevista à Lusa, o coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) da TAP Vítor Baeta afirmou que o crescimento da rede da companhia liderada por Fernando Pinto “é desproporcional”, considerando que o reforço das rotas “é importante para privatizar a companhia”.

“É o que se chama o embelezar a noiva. É importante aumentar a rede, porque o valor da companhia mede-se pela dimensão da sua rede”, declarou o responsável. Em contrapartida, diz que “há muitos anos que os sucessivos governos não investem na TAP”, atribuindo essa falta de investimento também à intenção de privatizar a companhia.

“Não se têm feito investimentos na TAP dignos desse nome. Não é por pintar um edifício ou remodelar o mobiliário que se faz investimentos. É preciso melhores condições de trabalho, quadros suficientes, aviões que cheguem para a operação e espaço para a manutenção”, acrescentou.

Vítor Baeta apontou a manutenção como a “área mais afetada pela falta de investimento”, explicando que “as instalações são antigas e insuficientes e o material é antiquíssimo”.

“Cada vez é mais difícil fazermos o trabalho: temos as ferramentas que tínhamos há 30 e 40 anos para equipamentos com mais tecnologia”, acrescentou.

Segundo o porta-voz da CT, os problemas estendem-se aos quadros: “Em dezembro de 2010, havia 971 técnicos de manutenção e, em junho deste ano eram 917, com mais seis aviões na frota da companhia”.

Em entrevista à Lusa na quarta-feira, o presidente da TAP afirmou que a companhia está "em processo final de admissão" de cerca de 50 técnicos para reforçar a equipa de manutenção, garantindo que o número e a experiência dos profissionais ficarão ao nível de 2010.

Vítor Baeta admitiu que, após o processo de admissão em curso, o número de técnicos de manutenção pode aproximar-se do de há quatro anos, mas rejeitou que a experiência dos profissionais seja semelhante.

“Com experiência entraram seis profissionais, os restantes não têm experiência e estamos a falar de uma profissão que assume autonomia ao fim de seis ou sete anos”, afirmou.

Na entrevista à Lusa, o presidente da TAP admitiu que um somatório de fatores associados a um crescimento do tráfego acima do esperado têm conduzido a cancelamentos de voos, o que classifica de "dores de crescimento", que espera estarem sanadas em agosto.

Fernando Pinto explicou como “vários fatores” estão a abalar a operação da companhia, levando a que o índice de cancelamentos da TAP passasse de uma média de 1% para 2% em junho e julho. Um valor que, embora "alto", considere que deve ser "relativizado", pois representa uma média de sete voos cancelados em 350 diários.

“Tivemos um atraso na receção dos [seis] aviões, também um atraso na formação, sobretudo de tripulantes. Neste momento, conseguimos formar cerca de metade dos tripulantes que gostaríamos de ter formado”, declarou.

O atraso no reforço da frota e do pessoal, indispensável para operar as 11 novas rotas lançadas em julho pela TAP, agravou-se com um crescimento do tráfego acima do esperado.


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