Trabalhadores da Cofaco, no Pico, concentraram-se à porta da empresa

Trabalhadores da Cofaco, no Pico, concentraram-se à porta da empresa

 

Lusa/AO Online   Regional   14 de Jul de 2017, 15:39

Trabalhadores da fábrica da Cofaco, na ilha do Pico, nos Açores, concentraram-se hoje à porta da empresa exigindo respostas da administração da conserveira e do executuvo açoriano sobre o futuro da unidade fabril.

 

“Fala-se que vai ser construída uma fábrica. Fala-se que vai ser reabilitada. Fala-se muito, mas do ponto de vista prático não se passa nada e a situação arrasta-se há muito tempo”, afirmou em declarações à agência Lusa Vítor Silva, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritório e Serviços dos Açores.

Aquela estrutura sindical e a União de Sindicatos da Horta, afeta à CGTP, organizaram hoje, durante meia hora, entre as 12:00 e as 12:30 locais (mais uma hora em Lisboa) um protesto à porta da fábrica Cofaco, que labora no concelho da Madalena.

Vítor Silva alertou que os trabalhadores vivem “um momento de incerteza e preocupação” devido “à falta de respostas da administração da Cofaco e do próprio Governo Regional”.

“Não é compreensível que alguém com responsabilidades nesse processo não venha explicar aos trabalhadores o que é que se está a passar. Este é um comportamento inaceitável”, apontou o dirigente sindical, salientando que a empresa emprega mais de 200 trabalhadores, na maioria mulheres.

Frisando o papel da empresa quer na economia da ilha, quer no setor da restauração, transportes e pesca, o dirigente sindical disse que "há um número muito significativo de empregos indiretos" que resultam da Cofaco.

“Há uma preocupação geral dos trabalhadores, mas também da sociedade picoense e isto ficou bem demonstrado com a presença da população, quer do Pico, mas até muita gente do Faial tendo em conta o que se passou com a fábrica daquela ilha e as consequências que ainda hoje advêm do encerramento daquela empresa”, apontou.

O dirigente sindical admitiu outras formas de luta, nomeadamente reuniões com outras entidades do Pico ou eventualmente manifestações.

"Está estabelecido esperar até final do mês e se não acontecer nada faremos uma reunião", adiantou.

O parlamento dos Açores já tinha aprovado na quinta-feira, por unanimidade, uma resolução apresentada pelo PSD, para que sejam acautelados os postos de trabalho na Cofaco, na ilha do Pico, durante o processo de construção da nova fábrica.

Marco Costa, deputado do PSD, explicou que a empresa já anunciou a intenção de construir uma nova unidade fabril, mas lembrou que esse investimento implica a suspensão temporária dos postos de trabalho das cerca de 200 operárias que ali trabalham.

Paulo Mendes, deputado do Bloco de Esquerda, perguntou ao Governo se os investimentos na construção da nova unidade fabril poderão ou não implicar despedimentos no futuro.

Preocupações com o futuro dos postos de trabalho na Cofaco, que foram também partilhadas por João Paulo Corvelo, do PCP, e Alonso Miguel, do CDS-PP.

O secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, disse em plenário não ter informações, nesta altura, sobre qual será o futuro dos postos de trabalho na Cofaco, prometendo, no entanto, estar "muito atento".

"Não nos foi comunicado se vai haver despedimentos, se não vai haver despedimentos, nem como é que eles serão feitos. O que posso dizer é que, naturalmente, o Governo Regional vai estar muito atento", garantiu.

A Lusa tentou uma reação da Cofaco, mas não foi possível até ao momento.


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