"Temos que ser fortes e teimosos"

"Temos que ser fortes e teimosos"

 

Olímpia Granada   Regional   18 de Nov de 2010, 16:59

O sócio fundador da AçorCarnes e do Grupo Barcelos, pioneiro no comércio e promoção da “Carne dos Açores - IGP,” diz que com esta atitude e capacidade de inovar é possível enfrentar a crise
Como é que iniciou o percurso que o conduziu até ‘aqui’?
Em 1977 adquiri uma exploração pecuária e nessa altura tive a preocupação de fazer melhoramento genético. Fiz importação de animais de grande valor morfológico, inseminação artificial em toda a manada, fiz renovação de pastagens e, mais tarde, já com a colaboração de uma das minhas filhas, fiz a transferência embrionária. Sempre com acompanhamento de técnicos dos serviços oficiais e um grande apoio da Universidade dos Açores.
Como também exportava animais vivos e carne em carcaça, em 1997 nasceu a AçorCarnes com o intuito de desmancha e de embalamento de carne em vácuo. Começámos por fornecer empresas por grosso, grandes superfícies e o mercado de Angola e de Cabo Verde. Com a diversificação de actividade e a vasta gama de produtos ao consumidor final, levei a efeito o sonho que sempre tive de construir uma empresa de lacticínios e uma outra de carnes. Com a ajuda da minha esposa e das minhas filhas, que são o pilar mais forte da empresa, bem como de uma equipa jovem e coesa, bem formada tecnicamente e sobretudo dinâmica, criámos o Grupo Barcelos, no qual se integra a empresa AçorCarnes (pioneira no comércio e promoção da “Carne dos Açores - Indicação Geográfica Protegida (IGP)”, garantindo a diferenciação e notoriedade deste produto de excelência no comércio tradicional de qualidade, no canal HORECA e em lojas seleccionadas da grande distribuição, sendo actualmente a única empresa a comercializar e promover a carne certificada dos Açores no mercado continental. Desenvolve actividade de desossa e embalamento de carne a vácuo na sala de desmancha do Matadouro do Pico e na sala de desmancha em Angra do Heroísmo, em instalações próprias.
Actualmente estamos a concluir um investimento em duas unidades industriais em Angra do Heroísmo, num investimento superior a 8 ME. O projecto visa a integração de várias vertentes, nomeadamente agro-industrial, comercial, turística e pedagógica, alargando o seu portfólio de negócios. Tivemos a preocupação de que os produtos que vamos laborar não ‘chocassem’ com a produção de qualquer das indústrias existentes nos Açores. E o que é que vamos fazer? Iogurte líquido com probióticos e abióticos; leite em natureza (do dia) com garantia de validade e sem qualquer transformação; gelados, somente com leite e frutos naturais dos Açores, com recurso a tecnologia italiana; queijo fresco e curado, e requeijão.
A empresa também tem investido imenso na imagem de marca e apresentação final dos produtos, e sobretudo em garantir ao consumidor um produto final de alta qualidade![...]
Quais são os mercados?
No fornecimento de carnes estamos em quase todas as grandes superfícies do País [...] e temos exportado para diversos mercados externos, nomeadamente Espanha e PALOPs.
Quantos colaboradores têm?
50 funcionários na AçorCarnes, e o grupo, directa e indirectamente, envolve cerca de 100 pessoas.
E qual o volume de facturação?
Em 2009 a AçorCarnes teve um volume de facturação à volta de 12 ME.
Num cenário de crise vale a pena continuar a investir?
A minha opinião é a seguinte: nós temos que ser fortes e teimosos e sobretudo temos que procurar os negócios que melhor interessem, e foi por isso que lhe disse que íamos produzir nos lacticínios uma gama vasta de produtos sem que qualquer deles vá ‘chocar’ com algum dos já laborados por empresas de lacticínios dos Açores! Penso que isso é muito importante. Portanto, temos que inovar! 
A AçorCarnes já foi premiada pela Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo, com o prémio “Empresa Empreendedora”, em 2009. Como vê agora essa nomeação?
Quando há um esforço enorme para se conseguir um bom trabalho e dar a conhecer os produtos açorianos, que é isso que nós estamos a fazer, é extremamente gratificante ver o reconhecimento dos Açores por esse mesmo esforço!

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