Tecnologia está a alterar a relação dos indivíduos com o trabalho

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Rodrigo Tavares   Regional   16 de Jan de 2017, 17:31

Geração millennial veio romper com paradigmas tradicionais do capitalismo em prol da experiência, colaboração e economia de partilha.
“A tecnologia está a ter um impacto enorme [nas organizações]. As empresas devem focar-se principalmente em melhorar a experiência do cliente (…) sobretudo agora com a tecnologia mobile. A expectativa [do consumidor] é cada vez maior e, por isso, as empresas veem-se obrigadas a repensar os seus serviços por completo, bem como os seus modelos de negócio.”

 

Quem é o afirma é Luís Pimentel, numa conversa informal ao Açoriano Oriental. O jovem empreendedor micaelense, de 25 anos, que desde muito cedo sentiu a necessidade de criar projetos para obter o seu próprio rendimento. 

 

Na realidade, um millennial, como tantos outros, nascido entre 1980 e 2000, que veio revolucionar a economia e romper com os paradigmas tradicionais do capitalismo, em prol da experiência, colaboração e economia de partilha (ou a denominada economia criativa). A geração que veio obrigar alguns setores tradicionais a reinventarem-se, ora veja-se o exemplo da marca à escala mundial Disney, na caixa inferior.

 

“O segredo é a alma do negócio...ou talvez não. Faz sentido que as empresas mantenham em segredo alguma informação, porque é o seu core [business], o seu trunfo. No entanto, e na maioria dos cenários, as empresas têm mais a ganhar partilhando conhecimento entre si. São as chamadas joint-ventures”, afirmou, no mesmo tom descontraído em entrevista na Nonagon, Lázaro Raposo, um dos fundados da Cereal Games.

 

Agora, o português, e tal como fez questão de referir António Costa (primeiro ministro de Portugal) aquando da sua visita à Índia, é a terceira língua mais falada no Facebook. A rede social que, de acordo com dados do Statista, tem cerca de 1.79 mil milhões de utilizadores ativos por mês. Mas até que ponto poderá esse fenómeno representar uma vantagem competitiva para as empresas portuguesas, e em particular para as empresas regionais?

 

“Eu acredito que a centralidade somos nós que a criamos. Nos Açores não estamos a conseguir tirar partido das nossas especificidades. A presença que a língua portuguesa tem tido no mundo digital é um fator acrescentado no sentido de estimular as nossas empresas. (…) Estamos a assistir a uma transformação relativamente rápida, mas ao mesmo tempo silenciosa da forma como a tecnologia está a alterar a nossa relação com o trabalho”, declarou Paulo Mendes, diretor da Competir Açores. “Se olharmos para aquilo que é o tecido empresarial aqui na região, a maior parte são pequenas e médias empresas (PME’s) e para tirar o valor acrescentado que o mundo digital proporciona (...) é necessário delinear-se estratégias...não estar [no mundo digital] só por estar”, acrescenta.

 

A indústria 4.0 ( ou a quarta revolução industrial  - de 1990 até à data), caracterizada pela ascensão da desmaterialização de funções e processos engloba as principais inovações tecnológicas dos campos de automação. 

 

Segundo Carl Benedikt  Frey e Michael Osborne, da Universidade de Oxford, e de acordo com os dados patentes no estudo ‘The Future of Employment: How Susceptible Are Jobs To Computerisation’, cerca de 47% das profissões atuais estão suscetíveis de serem automatizadas até 2020.

 

Para Lázaro Raposo esta é uma discussão polémica. “Estive num workshop de inteligência artificial e colocaram essa observação. Na realidade, isso é o resultado do progresso. Cabe ao homem dar a volta à situação e arranjar outras atividades para suplantar as que entretanto foram substituídas pela inteligência artificial.” Uma opinião corroborada por Paulo Mendes, que defende que “aquilo que é importante garantir é que essa percentagem de automatização do trabalho possa ser acompanhado com lógicas que permitam mitigar o impacto que isso terá nos trabalhos manuais. Aqui a resposta terá de ser proativa e não reativa.”

 

Outro dado que importa reter, e tendo como fonte a Sensor Tower (Mobile App Store Marketing Intelligence) são as mais de cinco milhões de aplicações disponíveis na App Store em finais de 2020, o que, na prática, representa um aumento de cerca de 73% face ao catálogo atual. Um número que em muito se deve ao valor acrescentado destas aplicações no dia a dia das pessoas. 

 

Mas estaremos assim tão longe de perceber o impacto que a tecnologia e o digital terão na força do trabalho? 

 

“Quando olhamos para a Uber, há uma série de questões, nomeadamente no enquadramento legal, que põem em causa aquilo que é a forma tradicional de se prestar um serviço. (...) Mas a questão não é parar essa evolução (...) até porque no final do dia quem fica a ganhar é o consumidor, e isso obriga a que as formas mais tradicionais da organização do trabalho se adaptem a essas tendências”, afirmou Paulo Mendes.
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