Tartaruga-comum que esteve 20 anos em cativeiro está ao largo dos Açores

Tartaruga-comum que esteve 20 anos em cativeiro está ao largo dos Açores

 

Lusa/AO online   Cultura e Social   22 de Dez de 2017, 16:40

A tartaruga-comum devolvida recentemente ao mar em Aveiro, depois de ter estado 20 anos em cativeiro, "está a cerca de 700 quilómetros a norte dos Açores”, disse hoje a coordenadora técnica do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM).

"Fizemos a devolução a cerca de oito milhas náuticas da costa de Aveiro, a 02 de novembro, e entretanto ela tem-se deslocado para leste e na última localização que fizemos estaria sensivelmente a 700 quilómetros a norte dos Açores", adiantou à Lusa a bióloga Marisa Ferreira.

A tartaruga-comum da espécie "caretta caretta", devolvida ao mar com cerca de 103 quilos, esteve nos últimos 20 anos no Aquário Vasco da Gama, no concelho de Oeiras (distrito de Lisboa) e está a ser monitorizada pelo CRAM até janeiro de 2019, tendo já percorrido 1.300 quilómetros.

"Aplicámos um transmissor de satélite que vai nos permitir, se tudo correr bem e as baterias não nos falharem, seguir o animal durante cerca de 15 meses", afirmou.

Segundo Marisa Ferreira, os dados que chegam "duas vezes por semana" revelam o padrão de rota do percurso de "Gama", nome dado a tartaruga pelos biólogos do CRAM.

"Quinze meses é a duração da bateria do transmissor que lhe aplicámos. A partir daí vamos deixar de ter contacto, de saber o paradeiro dela, ela também foi com um 'microchip' e se alguma vez parar em terra alguém poderá verificar que ela está marcada", explicou.

A monitorização da tartaruga permite verificar “o sucesso da devolução" do animal à natureza e também perceber qual o uso que as tartarugas fazem das águas portuguesas, bem como "as rotas de migração".

"Já marcámos 19 tartarugas libertadas em vários pontos do país, Aveiro, Figueira da Foz, Peniche e Madeira. Tivemos animais que foram para o meio do Atlântico, tivemos animais que entraram no Mediterrâneo, que foram para sul para a costa africana, chegando praticamente a Cabo Verde, portanto temos uma distribuição bastante variada", explicou.

Antes de a tartaruga "Gama" ter sido devolvida ao mar, o CRAM avaliou o estado de saúde e a capacidade do animal de se adaptar ao seu 'habitat' natural para haver a garantia de que estaria apto para sobreviver sozinho.

"Esteve nas nossas instalações, em que tivemos a estudar e apresentar vários itens alimentares, também presas vivas para ver se ela tinha capacidade de comer e também para se exercitar, porque esteve muito tempo num tanque. Quando se verificaram todas as condições, fizemos a devolução à natureza", recordou.

Gerido no concelho de Ílhavo pela Universidade de Aveiro em colaboração, com a Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem e o Oceanário de Lisboa, o CRAM faz parte do projeto ECOMARE e tem um custo anual de meio milhão de euros.

Considerado o maior centro do género na Europa, o CRAM funciona desde agosto de 2016.



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