Soldados condenados por forçar criança a abrir malas suspeitas de conterem explosivos


 

Lusa / AO online   Internacional   3 de Out de 2010, 12:37

Dois soldados israelitas foram hoje condenados por terem obrigado uma criança palestiniana de nove anos a abrir malas onde suspeitavam estar escondidos explosivos durante uma operação em Gaza, em finais de 2008.

Um tribunal militar declarou os soldados, pertencentes à brigada Givati, culpados de "abuso de autoridade de uma forma de pode pôr a vida em risco", informou o serviço de notícias israelita "Ynet", citado pela agência espanhola EFE.

O Exército declinou por enquanto fazer qualquer declaração sobre a sentença.

Ainda não foi fixada a pena, que poderá ir até aos três anos de cadeia. No tribunal, ficou provado que os soldados obrigaram o menino a abrir várias malas e bolsas que encontraram num edifício no bairro de Tel Al Hawa.

Os soldados suspeitavam que as malas teriam sido ali colocadas por milícias e que teriam explosivos no interior.

A criança abriu as várias malas e distribuiu o conteúdo pelo chão, mas quando chegou à última recusou-se a abri-la, por medo, tendo os soldados retirado o menino do edifício e disparado sobre a mala, devolvendo posteriormente o menor à mãe.

Durante o julgamento, os soldados declararam sentir-se "traídos pelo Exército" e atribuíram a sua condenação à vontade israelita de acalmar as exigências internacionais contra a atuação do Exército.

O juiz sul-africano Goldstone determinou que durante a operação, que durou 22 dias e em que morreram mais de 1 400 palestinianos (na sua maioria civis) e 13 israelitas, tanto o Exército israelita como o movimento islamita radical palestiniano Hamas cometeram violações dos direitos humanos.

Familiares e amigos dos soldados condenados apresentaram-se no tribunal com camisolas com inscrições onde se lia "Todos somos vítimas de Goldstone".


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