Sobre-exploração e lixo marinho entre os principais problemas dos oceanos

Sobre-exploração e lixo marinho entre os principais problemas dos oceanos

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   20 de Fev de 2017, 16:53

O diretor do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, Hélder Silva, considerou que a sobre-exploração de recursos e o lixo marinho são dois dos principais problemas que os oceanos enfrentam à escala global.

Hélder Silva afirmou que a questão do lixo marinho está "identificada como fortemente impactante, pela negativa, na qualidade dos oceanos".

A propósito da Cimeira Mundial dos Oceanos, que tem início na quarta-feira, em Bali, Indonésia, onde, entre outras matérias, será analisado o financiamento para a sustentabilidade dos oceanos, Hélder Silva realçou o trabalho do DOP nesta área.

"Estamos a dar contributos para a resolução de problemas ao nível da insustentabilidade da exploração de alguns recursos e a participar em projetos europeus para a resolução de problemas associados, por exemplo, à concentração de lixo marinho", adiantou Hélder Silva, antigo diretor regional das Pescas e ex-secretário do Ambiente dos Açores.

Grande parte das linhas de investigação desenvolvidas no DOP, sediado na Horta, ilha do Faial, está relacionada com os oceanos, tendo o departamento sido mesmo pioneiro no desenvolvimento de atividades de "grande relevância para a economia azul, como é o caso da observação de mamíferos", referiu o investigador.

"Hoje parece uma coisa vulgar, mas a universidade, e o DOP em especial, estiveram no lançamento e acompanhamento científico desta atividade", frisou Hélder Silva, assinalando que a observação de golfinhos, baleias e outros animais nos mares dos Açores tem hoje em dia grande impacto económico no arquipélago.

O investigador apontou ainda que o DOP tem estado envolvido na identificação de produtos marinhos com propriedades farmacológicas e com interesse ao nível cosmético, bem como no estudo dos impactos da eventual exploração mineral dos fundos marinhos.

Segundo o diretor do DOP, há várias potencialidades associadas aos oceanos, apontando a aquacultura, "uma das áreas mais tradicionais, pelo menos em alguns países, em particular no oriente", zona que reúne "mais de 50% da produção em aquacultura a nível mundial".

Hélder Silva considerou que desde a realização da Exposição Mundial dos Oceanos, em 1998, em Lisboa, Portugal tem-se afirmado a nível mundial no domínio marítimo.

No final de janeiro, o secretário regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas dos Açores, Rui Bettencourt vincou que seria "impensável não implicar os Açores nos vários níveis de governança dos oceanos", não só porque o mar da região representa 18% do mar europeu, mas também porque o arquipélago deseja "estar neste processo histórico de desenvolvimento de um quadro de governança internacional dos oceanos".

Discursando em Bruxelas, Rui Bettencourt sublinhou que os Açores têm desenvolvido "políticas exemplares" no que respeita à proteção e conservação do meio marinho, à investigação no domínio do oceano profundo e à internacionalização da sua visão estratégica para o mar.



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