Portugal quer mais peso da economia marítima


 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   20 de Fev de 2017, 17:09

A ministra do Mar afirmou que Portugal quer duplicar o peso da economia marítima nos próximos anos e que vai promover a extensão da plataforma continental durante a cimeira dos oceanos que vai decorrer na Indonésia.

 

Falando à agência Lusa antes da partida para Bali, onde a cimeira vai realizar-se entre quarta-feira e sexta-feira, Ana Paula Vitorino afirmou que Portugal tem como objetivo para os próximos dez anos aumentar a economia marítima, que representa atualmente 3,1 por cento do Produto Interno Bruto, aproveitando até 2020 para contar com o quadro comunitário de apoio atual.

"É muito pouco, porque o território marítimo representa mais de 90 por cento do território nacional", afirmou a ministra, que explicará em Bali "a bondade da candidatura" portuguesa para a extensão da plataforma continental, pedida em 2009 e que vai ser discutida este ano nas Nações Unidas.

Ana Paula Vitorino afirmou que esse objetivo não é essencial para duplicar a economia marítima, mas que é algo para "o médio e longo prazo".

Portugal, que reivindica desde 2009 a extensão da sua soberania sobre o fundo do oceano para lá das 200 milhas náuticas da costa, já tem "uma plataforma continental muito razoável, das maiores a nível internacional", mas vai precisar de mais, ao mesmo a ritmo a que crescer a sua chamada "economia azul", indicou.

Proteção e limpeza oceânica, investigação e, ao mesmo tempo aumento das atividades económicas são as áreas que Portugal tem que equilibrar nesta plataforma continental mais extensa.

Apontando um dos temas da cimeira, organizada pela revista britânica The Economist, a governante salientou que a economia azul só pode ir em frente "se for sustentável", o que Portugal tem bem presente nos projetos mais inovadores que apresenta nesta área.

Ana Paula Vitorino defendeu que é preciso "preservar recursos e defender o ambiente" ao mesmo tempo que se incentivam áreas como a "navegação verde", que respeita a legislação ambiental, e a retoma da indústria naval comercial e de recreio, que tem "imensa margem de crescimento".

A ministra defendeu ainda que a modernização dos portos portugueses, com mais meios tecnológicos, é essencial para serem "plataformas para novas economias e atividades económicas" ligadas ao mar, assentes em novas empresas e inovação.

Portugal "é um bom exemplo do melhor que se faz no mundo" em inovação nesta área, considerou, com "excelentes centros de investigação".

Da cimeira, que junta responsáveis da União Europeia, governantes, empresas do setor tecnológico e marítimo, e o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Ana Paula Vitorino espera que saiam "compromissos globais assumidos" entre os vários parceiros, decididos também a nível da ONU.

A cimeira da Economist, que este ano tem a sua quarta edição, encara a passagem da economia marítima convencional para sustentável como uma oportunidade de investimento, mas pretende-se também discutir os riscos envolvidos, como o da aposta na exploração dos recursos marítimos poder pôr em perigo os oceanos.


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