Situação na Birmânia pode ser considerada limpeza étnica

Situação na Birmânia pode ser considerada limpeza étnica

 

Lusa/AO online   Internacional   13 de Set de 2017, 17:37

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou que os "crimes contra a humanidade" que sofrem os 'rohingyas' na Birmânia podem ser considerados limpeza étnica.

"Quando um terço da população rohingya é obrigada a sair do país, consegue encontrar uma palavra melhor para descrever?", disse Guterres numa conferência de imprensa.

O secretário-geral não usou o termo genocídio, garantindo que não existem vantagens em discutir os diferentes termos que se podem usar, mas disse que "a situação humanitária é catastrófica" e ilustrou esta realidade com alguns números.

"Quando lá estive na semana passada, havia 125 mil refugiados Rohingya que tinham fugido para o Bangladesh. Esse número triplicou para 380 mil, disse Guterres.

O secretário-geral apelou à Birmânia para suspender as operações militares contra a minoria Rohingya, cerca de 400.000 membros da qual já se refugiaram no vizinho Bangladesh para fugir às atrocidades.

“Apelo às autoridades da Birmânia para que suspendam as ações militares e a violência e protejam o Estado de direito”, declarou Guterres em conferência de imprensa, advertindo que a violência desencadeou uma catástrofe humanitária.

Inquirido sobre se o que está a acontecer na Birmânia é uma “limpeza étnica”, o responsável máximo das Nações Unidas considerou não haver “melhor palavra para descrever a situação” que levou “um terço da população Rohingya a fugir do país”.

Segundo a ONU, cerca de 400.000 Rohingyas refugiaram-se no Bangladesh desde finais de agosto para fugir à repressão do exército birmanês, que lançou uma operação militar no oeste do país após uma série de ataques da rebelião Rohingya.

O porta-voz presidencial birmanês precisou hoje que 176 aldeias ‘rohingya’ estão vazias, em consequência da fuga de todos os residentes devido à violência no estado de Rakhin (oeste).

O porta-voz não usou o termo Rohingya, mas bengali, a palavra normalmente usada na Birmânia, onde se considera que aquela minoria migrou ilegalmente do Bangladesh.

As autoridades da Birmânia, de maioria budista, não reconhecem a cidadania aos Rohingya, cerca de um milhão de pessoas, impondo-lhes múltiplas restrições, incluindo a privação de liberdade de movimentos.

A ONU tem manifestado preocupação com a violência do Estado birmanês sobre os ‘rohingya’ e, na segunda-feira, o Alto-Comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, descreveu a situação como “um exemplo clássico de limpeza étnica”.




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