Situação económica dos Açores divide partidos no parlamento regional

Situação económica dos Açores divide partidos no parlamento regional

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   22 de Jun de 2017, 15:04

O crescimento económico e a criação de emprego, matérias que estão a ser objeto de uma interpelação do PS ao Governo dos Açores, que o suporta, dividiram hoje os partidos no parlamento regional, no plenário na Horta.

O líder parlamentar do PS, André Bradford, afirmou que questionar o Governo Regional "ou debater uma área da governação não são privilégios da oposição, nem significa necessariamente que se tenha de adotar uma postura de crítica monolítica, indiferente à realidade e assente apenas numa retórica antipoder".

André Bradford destacou depois o crescimento da economia dos Açores em 2016, que foi de 2,1%, para sublinhar que "atesta um crescimento superior ao do país", que foi de 1,4%, mas também ao da Zona Euro e da União Europeia.

"Não é motivo para foguetório, mas é, sem dúvidas, nem receios, razão para que sublinhemos o esforço que as famílias, as empresas e os poderes públicos despenderam para que déssemos a volta à crise e retomássemos um caminho de convergência com o país e com a União Europeia", realçou, para referir ainda dados da evolução do emprego e da taxa de desemprego na região.

Presentemente, os Açores têm "mais cerca de 13.400 açorianos empregados do que há quatro anos" e reduziram "para metade a taxa de desemprego nos últimos três anos, passando de 18% para 9,3% e da mais alta taxa do país para menos do que a média nacional e menos do que a Zona Euro", declarou André Bradford.

Sobre a interpelação, para "proporcionar uma reflexão alargada, envolvendo o Governo [Regional] e todas as forças políticas aqui representadas" sobre este percurso e quais as prioridades para a consolidação dos indicadores positivos, o parlamentar disse estar certo de que o PS pode "contar com o empenho de boa parte dos partidos da oposição", mas teme "pelo histórico daqueles que se dizem alternativa de poder".

O deputado do PSD António Viveiros observou que o PS "inaugurou um novo significado para a palavra" interpelar, considerando que ao usar esta interpelação "para se autoelogiar, fica-lhe muito mal".

Para o social-democrata, "não pode o mesmo Governo, quando a situação económica se degradou e os indicadores regionais se afundaram, enjeitar responsabilidades, culpando a República e a conjuntura internacional".

"Mas, por outro lado, quando os mesmos indicadores dão sinal de alguma recuperação, tal como recuperou a conjuntura externa, reclamar agora a responsabilidade do aparente sucesso das suas políticas", adiantou António Vasco Viveiros, acusando o PS de ter excluído, deliberadamente, a situação social da região da interpelação, porque "os Açores são a região do país em pior situação na maioria dos indicadores sociais".

Paulo Mendes, do Bloco de Esquerda, que deu ao PS "as boas-vindas" ao "maravilhoso mundo das interpelações", considerou que, embora seja de "natureza propagandística", é lícito que os socialistas promovam o executivo que apoiam.

Por seu turno, o líder parlamentar do CDS-PP, Artur Lima, contrapôs com outro indicador, para lembrar que "entre 2007 e 2017, os Açores continuam a ter o último lugar" no índice de desenvolvimento regional, notando ser isto que releva.

Socorrendo-se de declarações de elementos da sociedade civil, Artur Lima referiu-se ainda à existência de fome nos Açores, e à situação das pescas ou da agricultura, e perguntou sobre a qualidade do emprego que cresceu na região.

Já o deputado comunista João Paulo Corvelo sublinhou que "não faz sentido falar de crescimento económico sem que esse crescimento se traduza numa justa e equilibrada distribuição da riqueza", como "não faz sentido falar de emprego apenas para fins estatísticos mas com vínculos precários e sem direitos".

Por seu turno, Paulo Estêvão (PPM), considerou que o crescimento tem "sobretudo a ver com uma forte dependência da região em relação à economia nacional", pelo que "se a economia nacional entra em crise, os Açores entram em crise", perguntando o que é preciso fazer para que a economia regional tenha uma "capacidade de poder fugir a um contexto nacional mais difícil".

No debate, que vai prosseguir esta tarde, o vice-presidente do Governo Regional, Sérgio Ávila, a propósito de outras leituras, assinalou que "os indicadores que sempre foram usados no debate nesta assembleia e que são usados no país e na Europa para medir crescimento económico, para medir o emprego, serviram até há pouco tempo".

"Agora o que interessa são indicadores parcelares que contribuem para o indicador global", adiantou, sublinhando, por mais do que uma vez, que o mérito dos resultados alcançados pela economia do arquipélago é dos trabalhadores e das empresas.


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