Sítio dos Tambores onde se festeja Solstício e Equinócio devia constar do roteiro turísitico


 

Lusa / AO online   Economia   4 de Set de 2010, 13:21

O sítio dos Tambores, em Chãs, Foz Côa, onde se fazem festas do Equinócio e do Solstício, devia integrar os roteiros turísticos da região, na opinião do promotor das comemoração.

Além de pedras associadas aos “alinhamentos sagrados” do Sol, o jornalista reformado Jorge Trabulo Marques explicou à Lusa que existem no local “vestígios desde o Período do Paleolítico até à Idade do Bronze”.

Por sua iniciativa, são realizadas em dois locais distintos do sítio dos Tambores, as festas do culto do Sol - Equinócios (primavera e outono) e Solstícios (verão e inverno).

Trabulo Marques, 65 anos, contou à Lusa que em 1993 foi-lhe diagnosticada uma doença que o levou a regressar a Chãs e “aos sítios da infância e da juventude”.

Foi nessa altura que redescobriu e explorou o significado das pedras, algumas com formas estranhas, que povoam a serra junto da aldeia, e associou a sua ligação ao culto do Sol.

Os festejos ocorrem na pedra da ´Cabeleira de Nossa Senhora` (afloramento granítico que tem no topo um enorme rochedo com mais de quatro metros de altura, onde são festejados os Equinócios), e junto da ´pedra do Sol` (megálito com três metros de diâmetro que se assemelha a uma enorme réplica da esfera terrestre, onde ocorrem os festejos dos Solstícios).

O dinamizador das festas do fenómeno solar acredita que o local “é um verdadeiro observatório astronómico primitivo, que os antigos povos sabiamente teriam aproveitado não só como calendário, mas também para ali realizarem os seus cultos, festividades e rituais”.

Jorge Trabulo Marques desloca-se regularmente a Chãs e passa muito do seu tempo na serra que trata por “aldeia das pedras voadoras”, assim designada porque “parece que as pedras estão prontas a descolar”.

“Este lugar dos Tambores é um lugar de reflexão e de meditação”, disse, contando que desloca-se ali à noite e ao fim da tarde, vestido com uma túnica branca e adornado com um colar, com o símbolo do Sol, para “meditar, tocar tambor e dar berros”.

“As pessoas acham que sou estranho, um louco e bruxo. Acham estranho, mas respeitam-me”, disse.

Tendo vivido cerca de 13 anos em São Tomé e Príncipe e sendo solteiro, referiu que aquilo que o prende em Portugal é a “paixão” que tem pelas pedras.

“A minha razão de ser, é esta. Antes, era o mar. Agora, procuro navegar nas pedras. Se não fosse isto, já tinha voltado para São Tomé”, assegurou à Lusa o jornalista reformado que também foi fotógrafo, escritor, navegador solitário e aventureiro.

Trabulo viveu mais de uma década em São Tomé e Príncipe onde protagonizou várias “aventuras marítimas”, em pequenas pirogas primitivas, como a tentativa de travessia oceânica até ao Brasil, que acabaria num naufrágio “de 38 longos e penosos dias”.


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