Sindicato pede "reunião urgente" com Governo para debater privatização da SATA

Sindicato pede "reunião urgente" com Governo para debater privatização da SATA

 

Lusa/AO online   Regional   28 de Mar de 2018, 15:43

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) pediu esta quarta-feira uma "reunião urgente" com o presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, para abordar a questão da privatização parcial da SATA e da gestão da empresa.

Em nota hoje endereçada, o sindicato frisa que na reunião quer debater com o líder do executivo açoriano o que diz serem os "sucessivos erros de gestão praticados pela atual administração" da transportadora aérea.

"Esta gestão ruinosa atingiu o seu auge com a perspetiva de negócio que a administração da SATA quer celebrar com uma companhia aérea concorrente, pagando a essa companhia para ficar com o seu melhor avião, o A330, com a desculpa esfarrapada que essa empresa tem aviões para substitui-lo em caso de avaria. No entanto, este A330, é o avião mais fiável da frota da SATA Internacional, sendo que, o novo A321, adquirido há apenas dois meses, avariou ontem e ainda não sabemos quando voltará a voar", lê-se na nota do SNPVAC.

Também questões ligadas à privatização parcial do negócio para fora do arquipélago integram as preocupações do sindicato, que na terça-feira considerou ser "necessário esclarecer" a opinião pública e os açorianos sobre a gestão da SATA e a alienação parcial da entidade.

"Consideramos que é necessário esclarecer a opinião pública e em especial o povo açoriano sobre factos de todo inadmissíveis e que relegam a companhia para níveis de gestão inaceitáveis numa companhia de Estado, representante de uma Região Autónoma", frisa o SNPVAC.

O sindicato diz que na segunda-feira promoveu uma reunião com um grupo de pilotos da transportadora aérea açoriana "no sentido de avaliar o processo de privatização e as consequências da má gestão a que a empresa SATA tem sido sujeita por parte da administração com os prejuízos já sobejamente conhecidos".

A SATA Internacional/Azores Airlines, que engloba as operações da companhia aérea para fora dos Açores, fechou o terceiro trimestre de 2017 com um prejuízo de 20,6 milhões de euros, estando ainda por fechar as contas finais do ano, numa altura em que decorre um processo de privatização de até 49% da participação social indireta que a região detém na empresa.

De acordo com informações enviadas pelo Governo Regional à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), e referentes às contas das empresas do setor público açoriano, ao prejuízo da Sata Internacional junta-se um resultado líquido negativo de 4,54 milhões de euros da Sata Air Açores, responsável pelas ligações aéreas dentro do arquipélago.

O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, nomeou em fevereiro a comissão especial que vai acompanhar a alienação parcial de até 49% da participação social indireta que a região detém na companhia aérea.

A comissão é presidida pelo advogado Luís Paulo Elias Pereira e integra ainda o economista António Gabriel Fraga Martins Maio e o professor universitário da área da gestão de empresas João Carlos Aguiar Teixeira.

Compete à comissão, realça o executivo açoriano, "elaborar os pareceres e relatórios que o Governo dos Açores entenda necessários sobre as matérias relacionadas com o processo, apreciar e submeter aos órgãos e entidades competentes quaisquer reclamações que lhes sejam submetidas e publicar um relatório final das suas atividades".

O processo público de alienação de 49% da Azores Airlines procura um "parceiro estratégico" que garanta "robustez" à transportadora aérea, indicou no passado o líder do Governo dos Açores.

A Azores Airlines, que faz voos de e para fora do arquipélago açoriano, "opera, atualmente, numa realidade bastante diferente da do passado recente", vincou na ocasião Vasco Cordeiro, lembrando o governante que "há pouco mais de três anos operavam regularmente nos Açores duas companhias com gestão 100% pública".

"Hoje, este cenário alterou-se profundamente havendo mais companhias a operar nos Açores e apenas uma, a SATA, com gestão pública. Mesmo a nível europeu, em cerca de uma década, grandes companhias aéreas de bandeira foram absorvidas por capitais privados e, mais recentemente, mesmo companhias de baixo custo, consideradas o modelo de sucesso da aviação civil, estão a enfrentar graves constrangimentos operacionais", sublinhou ainda à época o chefe do executivo dos Açores.

A "nova realidade" do mercado obriga a uma "permanente" avaliação da SATA e, em concreto, da Azores Airlines.



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