Sindicato diz que faltam 50 médicos de medicina geral e familiar

Sindicato diz que faltam 50 médicos de medicina geral e familiar

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   2 de Fev de 2017, 16:36

O presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) disse que faltam pelo menos 50 especialistas em medicina geral e familiar nas unidades de saúde dos Açores e defendeu a necessidade de implementar medidas para fixar estes profissionais.

"Há uma grande carência de profissionais não só aqui na região autónoma, mas no continente também", frisou o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, em declarações aos jornalistas, após uma reunião com o secretário regional da Saúde dos Açores, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

Segundo Jorge Roque da Cunha, a fixação de médicos nos Açores não passa apenas pelos incentivos financeiros e o problema não se circunscreve aos centros de saúde.

"Nos hospitais, o que está a acontecer, neste momento, é que os profissionais que existem, em muitas especialidades, estão envelhecidos, estão a ficar cada vez mais próximos da reforma", declarou.

O sindicalista defendeu a criação de condições para investigação, a criação de uma maior ligação com a universidade e a criação de condições para formação no exterior, como doutoramentos e pós-graduações.

"Esta nova geração de médicos mais novos não pensa só nas questões financeiras", disse, salientando, no entanto, que os incentivos financeiros são necessários, sobretudo tendo em conta que também existem no continente.

Por sua vez, o secretário regional da Saúde, Rui Luís, afirmou que a tutela já está a trabalhar em várias medidas, como a possibilidade dos médicos continuarem a sua formação.

"Já temos nos Açores incentivos financeiros, se eles até agora não foram suficientes, porque não é só isso que interessa aos médicos, vamos ter de arranjar alternativas ", adiantou.

Questionado sobre as deslocações de médicos especialistas às ilhas sem hospital, que motivou, na anterior legislatura, queixas dos profissionais, Jorge Roque da Cunha reconheceu que os principais problemas já foram ultrapassados, mas a situação ainda não está resolvida.

"Não podemos ter um hospital em cada canto, não podemos ter especialidades em todas as ilhas, mas tem de haver um sistema de transporte, de referenciação, que possa ser mais eficaz", alegou.

Em 2014, o Governo Regional alterou as regras de pagamento das deslocações dos médicos especialistas às ilhas sem hospital (todas exceto Terceira, Faial e São Miguel), o que levou a que muitos profissionais tenham recusado efetuar deslocações.

Rui Luís disse que está a ser preparado um plano de deslocações para 2017, em colaboração com os hospitais e centros de saúde, admitindo a possibilidade de rever a legislação.

"Estamos também a estudar a possibilidade de ajustar a legislação que existe para facilitar essa deslocação de especialistas", acrescentou.


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