Secretário dos Transportes dos Açores descarta responsabilidade política em acidente no Pico

Secretário dos Transportes dos Açores descarta responsabilidade política em acidente no Pico

 

Lusa/AO Online   Regional   2 de Jun de 2015, 14:18

O secretário regional dos Transportes dos Açores disse hoje que a região vai reforçar as condições de segurança nos portos e descartou responsabilidades políticas ou algum tipo de negligência no acidente mortal ocorrido no Pico no ano passado.

“Politicamente, não me considero responsável pelo acidente, embora tenha a tutela, tanto na data do acidente como hoje, da parte setorial que engloba as duas empresas [Portos dos Açores e Transmaçor]”, disse Vítor Fraga, em conferência de imprensa na Madalena, Pico.

O secretário regional vincou que o relatório do Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Marítimos (GPIAM), hoje conhecido, sobre o acidente ocorrido em novembro de 2014, em que um passageiro de um barco da Transmaçor morreu, aponta um conjunto de fatores para o que aconteceu, não se podendo concluir que um desses fatores, só por si, causaria o acidente.

Questionado pelos jornalistas, Vítor Fraga descartou, também, que tenha havido qualquer tipo de negligência neste caso e assegurou que o Governo Regional dos Açores tem confiança nos administradores das duas empresas, os quais estiveram ao seu lado na conferência de imprensa.

“Negligência haveria se alguma vez se tivesse verificado que havia necessidade de adotar medidas diferentes daquelas que estavam a ser implementadas e elas não tivessem sido adotadas”, afirmou.

O "relatório de investigação" ao acidente de 14 de novembro de 2014, em São Roque do Pico, hoje conhecido, concluiu que houve falta de manutenção dos cabeços de amarração do porto.

O passageiro da Transmaçor morreu porque foi atingido por um cabeço de amarração que rebentou quando o barco em que seguia tentava atracar.

De acordo com o documento, disponível na página na internet do GPIAM, um dos fatores que contribuiu para o acidente foi a "ausência continuada de manutenção dos cabeços" por parte da Portos dos Açores.

O relatório refere que a "causa direta" da quebra do cabeço foi um "esforço pontual e significativo da tração dos cabos do navio sobre o cabeço", que derivou de uma "solicitação brusca induzida ao navio pela ondulação que se fazia sentir".

O documento aponta, ainda, outros fatores que terão contribuído para o acidente, como o "posicionamento incorreto" dos cabeços, a utilização pelo barco "Gilberto Mariano" de cabos sobredimensionados e a "metodologia" que tem de ser adotada pelos navios ferry para atracar à rampa 'ro-ro'.

Vítor Fraga garantiu hoje que “foram feitos todos os testes necessários e que estão estipulados ao nível da certificação” antes de dois novos navios da Transmaçor terem começado a ser usados em diversos portos, em março de 2014, e que nunca foi detetado qualquer problema ou falha.

Por outro lado, referiu que esta situação revelou que “os procedimentos que a Porto dos Açores tem tido ao longo dos anos, e que passavam essencialmente por uma análise e inspeção visual dos cabeços”, precisam de ser revistos, o que já aconteceu.

Vítor Fraga enumerou ainda uma série de medidas que já foram adotadas pelas duas empresas após o acidente, ou que estão a ser implementadas, com vista a melhorar a segurança.

Essas medidas fazem parte de pareceres e peritagens que entretanto foram feitas e “vão ao encontro das recomendações” do GPIAM, afirmou.

Vítor Fraga revelou que, além disso, está a ser feito um estudo para avaliar o dimensionamento e a localização dos cabeços das rampas ‘ro-ro’ de toda a região com transporte de passageiros, garantindo que o executivo açoriano “está empenhado em reforçar as condições de segurança de todas essas rampas”.



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