Salários em todo o mundo cresceram a ritmo muito mais lento em 2011

Salários em todo o mundo cresceram a ritmo muito mais lento em 2011

 

Lusa/AO online   Economia   7 de Dez de 2012, 11:41

O crescimento médio dos salários em 2011 foi muito inferior ao dos anos anteriores à crise, com índices negativos nos países desenvolvidos, mas aumentos consideráveis nas economias emergentes, segundo o último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O relatório bienal da OIT, que examina as diferenças de remunerações em todo o mundo e foi hoje apresentado em Genebra, revela que os salários reais aumentaram globalmente 1,2% em 2011, contra os 2,1% de 2010 e os 3% de 2007.

Nos países desenvolvidos, os salários chegaram mesmo a recuar 0,5% no ano passado, antecipando-se um crescimento zero em 2012.

Já na Ásia aumentaram 5%, impulsionados pela subida registada na China que, pela dimensão da respetiva população, tem um enorme peso no cálculo final.

Em África, registou-se uma subida de 2,1% dos salários no ano passado, enquanto na Europa central e na Ásia central o aumento foi de 5,2%, na América Latina e nas Caraíbas de 2,2% e no Médio Oriente se deu um recuo de 0,2%.

“À escala mundial, os salários progrediram a um ritmo muito mais lento do que antes da crise, tendo mesmo recuado nos países desenvolvidos”, destaca a OIT no relatório.

Para o diretor-geral da organização, Guy Ryder, “este relatório mostra claramente que, em muitos países, a crise teve um forte impacto nos salários e, por consequência, nos assalariados”.

Uma situação que, alerta a OIT, tem provocado “descontentamento popular e aumenta os riscos de problemas sociais”, até porque “determinados dirigentes empresariais” continuam a receber “remunerações exorbitantes”.

Segundo os dados hoje divulgados, nos 15 países desenvolvidos o peso do trabalho no produto nacional passou de 75% nos anos 70 para 65% nos últimos anos.

Regista-se também que, na última década, a produtividade aumentou a um ritmo maior do que os salários, o que significa que os trabalhadores estão a beneficiar menos com o seu trabalho, a favor dos proprietários do capital, que ganham mais.

Segundo a OIT, esta situação deveria reverter-se e os responsáveis pelas decisões políticas deveriam ter o cuidado de não promover a produtividade à custa dos trabalhadores.

Para a organização, a fixação de salários mínimos é uma medida indispensável para combater a pobreza no trabalho, já que “centenas de milhões de assalariados nos países em vias de desenvolvimento ganham menos de dois dólares por dia” e, nos EUA e na Europa, os trabalhadores pobres representam 7% e 8%, respetivamente, da população assalariada.

“Os salários mínimos contribuem para proteger os assalariados mal remunerados e para prevenir uma quebra do seu poder de compra”, sustenta Guy Ryder.

Analisando a progressão dos salários desde o ano 2000, estes aumentaram em média 5% nos países desenvolvidos, 15% na América Latina e nas Caraíbas e duplicaram na Ásia.

Na China, os ordenados praticamente triplicaram nas últimas décadas.

Ainda que esta evolução aponte para uma convergência entre os salários nos países industrializados e nos que estão em vias de desenvolvimento, Ryder notou que a diferença “continua a ser muito significativa”.


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