Ryanair quer "concorrência a funcionar" e aeroporto do Montijo fora das mãos da ANA

Ryanair quer "concorrência a funcionar" e aeroporto do Montijo fora das mãos da ANA

 

Lusa/Açoriano Oriental   Economia   17 de Mai de 2017, 11:57

O presidente executivo da Ryanair, Michael O'Leary, defendeu que o aeroporto do Montijo não deve ser gerido pela ANA-Aeroportos de Portugal, para a "concorrência funcionar" e antecipar a abertura da infraestrutura complementar a Lisboa.

 

"A concorrência tem que funcionar. Tal como no futebol, não há um só clube", argumentou o responsável, numa conferência de imprensa, em Lisboa.

Questionado sobre o contrato em vigor para a ANA gerir todos os aeroportos nacionais, incluindo o Montijo, O'Leary respondeu que cabe ao Governo decidir sobre o assunto, recordando que em Londres foi forçada a venda de dois aeroportos e atualmente há "recordes batidos".

"A concorrência real será boa para o consumidor", afirmou ainda o responsável da companhia aérea de baixo custo, repetindo que, graças à sua posição de monopólio, a ANA está a adiar a abertura do Montijo enquanto aeroporto complementar de Lisboa.

O irlandês garantiu que "se fosse outro operador no Montijo, o aeroporto ia abrir mais cedo", repetindo que a ANA continua a impor constrangimentos no aumento do movimento do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, e que os movimentos deviam chegar, pelo menos, aos 50 por hora, contra os 40 atuais.

O'Leary criticou ainda a necessidade da realização de um estudo ambiental, questionando se "não é já tarde", uma vez que operam no Montijo voos militares.

"Agora que são campeões no futebol e nas canções [festival Eurovisão], também deviam ser no turismo. Além de vocês odiarem perder para Espanha", comentou ainda o responsável, numa referência à possibilidade de voos serem desviados para Málaga ou Valência, onde as taxas estão a diminuir, ao contrário das infraestruturas nacionais.

Na conferência de imprensa foi ainda referido pelo diretor comercial, David O'Brien, que "novas pessoas" da TAP voltaram a abordar a Ryanair para colaborações, depois de "as conversas estarem suspensas por meses".

Para explicar a situação, Michael O'Leary usou a metáfora de um convite para dançar numa discoteca: "Eventualmente vai acontecer. Estamos à espera de um 'slow' [música calma], porque agora há demasiada 'house music' [música eletrónica forte]".

A companhia anunciou um número recorde de reservas nos voos de verão, a previsão de transportar 3,2 milhões de clientes por ano em Lisboa e um novo serviço para a Terceira (Açores) e mais voos para Ponta Delgada.

"Este ano a Ryanair transportará mais de 10 milhões de clientes de/para Portugal", tornando a empresa na segunda maior companhia aérea no país, estimando que a possa vir a ultrapassar a líder TAP (com 11,7 milhões de clientes) "nos próximos dois ou três anos".

A decorrer estão ainda conversas com a ANA para eventual renovação do contrato para Faro e Porto.

Outro assunto abordado foi a necessidade de um acordo entre o Reino Unido e a Europa, no âmbito da saída do país do espaço da União Europeia, para não haver interrupção de movimentos depois de março de 2019, data do início do processo formal do 'Brexit' (saída do Reino Unido da União Europeia).

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