"Ricordo di Venezia" mostra pela primeira vez vidros da casa real portuguesa

"Ricordo di Venezia" mostra pela primeira vez vidros da casa real portuguesa

 

Lusa / AO online   Nacional   18 de Jul de 2015, 11:31

A exposição "Ricordo di Venezia - Vidros de Murano da casa real portuguesa", que é inaugurada na terça-feira, no Palácio Nacional da Ajuda (PNA), em Lisboa, mostra pela primeira vez peças da coleção, disse à Lusa uma das comissárias.

 

“Algumas das peças, com o respetivo estudo, são desta forma pela primeira vez apresentadas ao público”, disse Maria João Burnay, conservadora da coleção de Vidro do PNA e uma das comissárias da exposição.

Entre as cerca de 60 peças que vão ser expostas, Maria João Burnay referiu o serviço de mesa, adquirido pela rainha Maria Pia, em 1901. A mulher do rei D. Luis realizou 13 viagens à Europa, e por quatro vezes visitou Veneza.

“O serviço é composto por 500 peças, de diferentes tipologias – copo de água, de vinho branco, de vinho tinto, de licor, etc. – que só chegou ao palácio da Ajuda em 1903. Este serviço está na sala de jantar e, na exposição, figura um exemplar de cada tipologia”, disse Maria João Burnay.

Entre fruteiros, taças, jarras, garrafas e copos, Maria João Burnay destacou a mais pequena peça da exposição, “uma pequenina jarrinha em forma de golfinho, que é um ‘souvenir’ fabricado pelos vidreiros de Murano para os turistas ricos que viajavam até Veneza”.

A conservadora explicou à Lusa que, no século XIX, “Veneza fazia parte do circuito do turista rico; os jovens aristocratas tinham como ritual as viagens de educação, e Veneza era local de passagem obrigatório, estava na moda, e as vidrarias criam artigos para esse turista rico, os ‘souvenires’, que têm a inscrição ‘Ricordo di Venezia’, e daí o título da exposição”.

A mostra inclui muitas dessas peças de “souvenir”, que a rainha Maria Pia comprou - copos, jarros, garrafas, peças de decoração, taças, e pratos de lavar, “todos Murano genuíno”, sublinhou a conservadora.

Na realidade, a partir do século XIV, os vidreiros de Veneza dispersaram-se pela Europa e começaram a surgir peças que se passaram a denominar “a la façon de Venice”.

Conservadora de vidro do PNA desde 2011, Maria João Burnay começou a estudar os vidros de Murano da casa real portuguesa, a partir de 2012, tendo trabalhado com a historiadora italiana Rosa Barovier Mentasti, que também comissaria esta exposição.

Maria João Burnay disse à Lusa que tem apresentado o conjunto de vidros do PNA em vários colóquios internacionais. “O Palácio da Ajuda tem coleções absolutamente de estatuto internacional”, sublinhou a investigadora, que referiu que as coleções régias incluem vidros de França, de Inglaterra e da Boémia.

Referindo-se ao núcleo de Murano, Maria João Burnay afirmou que incorpora cerca de 600 peças utilitárias e decorativas, datadas da segunda metade do século XIX e início do século XX, de vidreiras como a Salviati e a Compagnia di Venezia e Murano.

Referindo-se à exposição, a conservadora espera que "incentive o gosto e o interesse pelo estudo da arte do vidro" e, por outro lado, “realce uma vez mais o gosto de dois monarcas – D. Luís e D. Maria Pia –, que estavam a par de todas as novidades que iam saindo, e não só das artes decorativas. Eram pessoas cosmopolitas, que viajavam, que conviviam com intelectuais, artistas e músicos, enfim com as artes em geral”.

Um dos aspetos em que a exposição incide é a venda à distância, através de catálogos, que enviavam à rainha, assim como propostas de modelos de luminária em fotografia, da Compagnia di Venezia e Murano, que também estão patentes.


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