Reservas mundiais de água estão a desaparecer a um ritmo que preocupa cientistas

Reservas mundiais de água estão a desaparecer a um ritmo que preocupa cientistas

 

Lusa/AO online   Ciência   18 de Jun de 2015, 12:47

A atividade humana está a conduzir ao esgotamento rápido de cerca de um terço das maiores reservas subterrâneas de água e é incerta a quantidade de água que ainda têm, indicam dois estudos.

 

Em resultado, importantes grupos populacionais estão a usar água subterrânea sem saber quando vai acabar, apontaram os cientistas autores do estudo, que vai ser publicado na revista Water Resources Research, mas foi colocado em linha hoje.

"As medições físicas e químicas disponíveis são simplesmente insuficientes", frisou, em comunicado, o investigador principal e docente na Universidade da Califórnia, em Irvine, Jay Famiglietti.

"Dada a velocidade com que estamos a consumir as reservas munidas de água subterrânea, precisamos de um esforço global coordenado para determinar quanta resta", acrescentou Famiglietti, que também é o cientista sénior da NASA para a área da água.

Os cientistas usam informação de satélites especiais da NASA para medir as perdas dos reservatórios de água.

No primeiro estudo, foram analisados 47 dos maiores aquíferos terrestres entre 2003 e 2013. Destes, oito foram classificados como "totalmente pressionados", o que significa que estão a ser consumidos sem que haja qualquer enchimento natural quem compense o uso.

Cinco outros foram determinados como "extremamente ou altamente pressionados".

Os cientistas alertaram que a situação só vai piorar com as alterações climáticas e o crescimento da população.

Os aquíferos mais pressionados estão nas zonas mais secas do mundo, onde há pouco enchimento natural.

"O que acontece quando um aquífero muitíssimo pressionado está localizado numa região com tensões políticas ou socioeconómicas e não pode repor a disponibilidade de água suficientemente depressa?", questionou Alexandra Richey, a autora principal dos dois estudos.

"Estamos a emitir alertas agora para sinalizar onde uma gestão ativa feita hoje pode proteger vidas no futuro", salientou.

Os investigadores apuraram que o Sistema Aquífero Árabe, que fornece água a mais de 60 milhões de pessoas, é o recurso aquífero mais pressionado no mundo.

A bacia do Indo, no noroeste da Índia e Paquistão aparece em segundo lugar, seguida pela Murzuk-Djado, no norte de África.

O segundo estudo concluiu que o volume total de água potável do mundo está mal conhecido e que existem grandes discrepâncias nas estimativas do "tempo para o esgotamento".

Richey reconheceu que se ignora quanta água ainda está armazenada nestes aquíferos e que as estimativas "podem variar entre décadas e milénios".

Esta disparidade de estimativas, "numa sociedade com escassez de água, não pode ser tolerada, especialmente quando as reservas subterrâneas estão a desaparecer tão depressa".

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.