Reservas da biosfera juntam-se em rede e podem ter acesso a 3,3 ME


 

Lusa/AO Online   Economia   2 de Set de 2016, 08:45

O Governo decidiu criar uma rede com as dez reservas portuguesas da biosfera, que podem candidatar projetos de desenvolvimento a um financiamento internacional de 3,3 milhões de euros, disse hoje o ministro do Ambiente, à agência Lusa.

 

As dez reservas, "muito representativas na sua diversidade daquilo que é a biodiversidade portuguesa, precisam de trabalhar em conjunto, fortalecer-se e conseguirem uma visibilidade que "dificilmente conseguem ter" separadas, defendeu o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, em declarações à agência Lusa.

"Por isso, esta vontade de criar uma rede que tem de ter algum formalismo", tendo o Governo decidido que as verbas do EEA Grants, iniciativa financiada principalmente pela Noruega, para a conservação da natureza, de cerca de 3,3 milhões de euros, serão para "criar um grande projeto no domínio das reservas da biosfera", avançou o governante.

O acordo de cooperação da Rede Nacional de Reservas da Biosfera da UNESCO é assinado hoje, nas Berlengas, em Peniche, marcando o 35.º aniversário desta reserva, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, António Costa.

O acordo surge, segundo o Ministério, pela necessidade de se preservar e conservar o património natural e cultural, assim como de se garantir um desenvolvimento sustentável das reservas da biosfera.

"Vamos criar uma rede com as dez reservas da biosfera", iniciativa que junta a comissão nacional da UNESCO e o comité nacional do programa MaB (homem e biosfera) daquela organização, responsável pela classificação das reservas da biosfera, disse o ministro.

As reservas da biosfera portuguesas são nos Açores, no Corvo, Flores, Graciosa e S.Jorge (classificação já de 2016), e na Madeira – Santana -, a que se juntam três, do continente, que são transfronteiriças, no Gerês, na Meseta Ibérica, com um conjunto de municípios do distrito de Bragança e Tejo Internacional, mais Berlengas, que junta a componente mar e terra, e Paul do Boquilobo.

O ministro avançou que algumas autarquias estão a preparar candidaturas à UNESCO para a constituição de novas reservas da biosfera.

As reservas localizam-se em áreas protegidas e parques naturais, e cada uma tem três áreas, "uma central, essencialmente dedicada à conservação, uma área tampão, em que já convivem algumas atividades, e uma de transição, que tem de incluir aglomerados urbanos", explicou João Matos Fernandes, realçando a "vocação muito clara de desenvolvimento".

O ministro apontou que, com uma imagem comum para todas as reservas da biosfera, estas "podem operar com outras reservas, num número alargado de países", e promover espaços que "muitos portugueses conhecem, mas, se comparadas com outras chancelas da UNESCO, como Porto património mundial, Sintra ou Douro Vinhateiro, têm uma capacidade de projeção menor".

Do total de investimento, 2,6 milhões de euros serão para projetos específicos no domínio imaterial, em cada reserva, que escolhe, "mediante o seu próprio programa, quais os projetos que querem ver contemplados", pois as iniciativas são de base local.

O montante destina-se ao mapeamento de serviços dos ecossistemas, ainda a ser construído, e à definição da estratégia de desenvolvimento do território.

"É muito importante que o mapeamento do serviço dos ecossistemas seja feito, e as reservas da biosfera são um território privilegiado para o poder fazer, precisamente pela sua dimensão, que não é muito expressiva, para depois podermos replicar de forma crítica esse modelo, no conjunto dos espaços protegidos", relatou João Matos Fernandes.


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