Religioso saudita causa controvérsia ao aparecer na televisão com a mulher de rosto descoberto


 

Lusa/AO online   Internacional   16 de Dez de 2014, 10:07

Um religioso saudita está a suscitar grande controvérsia depois de no fim de semana ter aparecido na televisão com a sua mulher de rosto descoberto, desafiando a rigorosa tradição do reino ultraconservador.

 

O xeque Ahmed al-Ghamedi, que proclamou que no islão as mulheres não têm necessariamente de cobrir o rosto em público, apareceu na companhia da mulher Jawaher bent Ali num programa da MBC, uma televisão de capitais sauditas sediada no Dubai.

Com óculos de sol modernos e maquilhagem ligeira, de ‘abaya’ (tradicional vestido negro do Golfo) e véu sobre os cabelos, a mulher do xeque Ghamedi falou sobre os problemas que os seus filhos têm na escola devido à controvérsia suscitada pelas ‘fatwas’ (éditos religiosos) do pai.

“Os nossos filhos queixam-se que alguns professores lhes perguntam porque é que o seu pai diz isto ou aquilo”, disse.

Durante o programa, o xeque Ghamedi, que dirigiu a polícia religiosa em Meca, o primeiro lugar santo do islão, reafirmou que “o profeta não ordenou às mulheres para cobrirem o rosto”, adiantando que também “lhes permitiu maquilharem-se”.

O grande mufti (intérprete da lei islâmica) da Arábia Saudita, xeque Abdel Aziz al-Sheik, criticou aquelas declarações e apelou ao xeque Ghamedi para “se arrepender”.

“Que Alá guie Ghamedi para o bom caminho”, adiantou, citado no ‘site’ saudita de informação Sabq.

Num comentário na rede social de mensagens curtas Twitter, Ghamedi é questionado: “Está contente? Cada telemóvel tem a fotografia da sua mulher. É um cornudo!”

A resposta de um partidário do xeque Ghamedi foi: “Insultam-no por ter mostrado o rosto da sua mulher (…) mas calaram-se relativamente (ao príncipe) Al-Walid” Ben Talal. A mensagem no Twitter é seguida de uma fotografia do príncipe milionário na companhia da sua mulher vestida à ocidental.

As sauditas precisam de autorização de um familiar do sexo masculino para trabalharem, casarem e viajarem. Além disso, a Arábia Saudita é o único país no mundo onde as mulheres não podem conduzir.


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