Região acolhe cada vez mais eventos desportivos com impacto na economia local

Região acolhe cada vez mais eventos desportivos com impacto na economia local

 

Lusa/AO online   Regional   14 de Out de 2015, 10:55

Os Açores são cada vez mais palco de eventos desportivos de cariz nacional e internacional, numa estratégia regional associada à natureza que tem notabilizado o destino, com um impacto na economia local estimado em milhões de euros.

O secretário do Turismo e Transportes no arquipélago considera que tem dado "bons frutos" a estratégia de "angariar diversos eventos desportivos, com ligação direta à matriz da natureza", desde logo pelo "aumento dos fluxos turísticos" que tem proporcionado.

"Estes eventos servem também como veículos de promoção da região e são diferentes os exemplos, desde o surf ao SATA Rallye Açores, muito recentemente o BTT ou o windsurf na baía da Praia da Vitória", afirmou Vítor Fraga, em declarações à agência Lusa.

Os Açores também têm servido de cenário para provas de canyoning, paddle, mergulho e este ano estrearam-se nos balões de ar quente, eventos que têm contribuído para uma visibilidade mediática mundial do arquipélago.

Segundo o governante, os impactos económicos dos diferentes eventos ocorrido nas ilhas são medidos a vários níveis, mas, por exemplo, no caso do SATA Rallye Açores, que este ano comemorou bodas de prata, o impacto estimado é de cerca de 13 milhões de euros anuais.

Rodrigo Herédia, da organização do SATA Azores Pro, destaca o potencial dos Açores para o surf, uma modalidade que "tem vindo a crescer nas ilhas" e que constitui "uma mais-valia" para aumentar a notoriedade dos Açores enquanto "destino turístico de excelência".

"Os Açores têm um potencial que muitos outros locais não têm. Tem uma qualidade de ondas muito consistente, geograficamente é um local estratégico, porque está próximo dos Estados Unidos e da Europa, sendo considerado o Hawai da Europa por estar no meio do Atlântico, ter água quente e condições amenas no inverno", afirmou.

Alegando que a prova atrai cada vez mais participantes de todos os continentes e "ajuda a quebrar a sazonalidade turística", Rodrigo Herédia destacou o facto de o surf ser "uma alavanca fora da época alta", já que os atletas e acompanhantes "frequentam restaurantes, alugam carros, dormem em hotéis, deixando na região muito dinheiro".

Em 2009, um estudo da Universidade dos Açores apurou que o SATA Azores Pro teve um impacto de um milhão de euros na economia local. Passados alguns anos e dado o crescimento do evento, que decorre na praia da Santa Bárbara, na ilha de S. Miguel, Rodrigo Herédia admitiu que os proveitos serão "muito superiores".

O organizador sublinhou que em setembro de 2016 a Ribeira Grande vai acolher o World Surfing Games, que envolve surfistas de 40 nações, naquela que será a primeira prova para a qualificação para os jogos olímpicos de Tóquio em 2020, em que o surf será modalidade experimental.

Também ao nível do ciclismo os Açores são cada vez mais apetecíveis. No primeiro fim de semana de outubro decorreu na ilha de S. Miguel, pela primeira vez, a prova internacional Azores MTB Marathon 2015, com cerca de 250 participantes, entre os quais o campeão mundial da modalidade.

"Os praticantes de ciclismo são um público bom, porque aproveitam a vinda aos Açores para desfrutar da natureza, mas também conhecer a terra e em geral trazem sempre acompanhantes", afirmou à Lusa o presidente da Associação de Ciclismo dos Açores, Jorge Medeiros, acrescentando que "as novas acessibilidades aéreas para o arquipélago facilitam este 'boom'".

Jorge Medeiros revelou que para 2016 estão já previstas várias provas nacionais da modalidade, que vão decorrer durante vários dias nas ilhas do Faial, Pico, Terceira e S. Miguel.

A quinta edição do Red Bull Cliff Diving, no ilhéu de Vila Franca do Campo (S. Miguel), no próximo ano, também já está assegurada, devido aos vários pedidos dos atletas e ao "apoio constante do governo açoriano", revelou a organização, que destaca a qualidade dos Açores para a realização deste evento único em território nacional.

"Os Açores entraram no circuito [mundial] em 2012. Foi uma experiência que deixou logo uma marca muito forte junto dos atletas e da organização"afirmou Gonçalo Bettencourt da Câmara, da organização da prova, que reúne anualmente na ilha de S. Miguel um grupo de 400 pessoas durante uma semana, entre atletas, staff e jornalistas.

A edição de 2014 gerou 1.943 artigos na imprensa 'online', 786 fotografias publicadas em agências noticiosas, 3.186 reportagens televisivas e estiveram presentes nos Açores 453 meios de comunicação social para dar conta da prova e "dar a conhecer ao mundo a região".

"Do ponto de vista da aposta que foi feita os números mostram que o destino Açores tem sido amplamente divulgado no mundo", sustentou Gonçalo Bettencourt da Câmara.


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