Dia contra a Homofobia

Quem discrimina não o assume, mas quem é discriminado sente-o na pele


 

Lusa/AO Online   Nacional   16 de Mai de 2010, 08:23

Quem discrimina não assume que o faz, mas quem é gay, lésbica, bissexual ou transgénero não tem dúvidas de ser discriminado. Esta é uma das conclusões de um relatório a ser apresentado na segunda feira, dia internacional contra a homofobia.

Os heterossexuais inquiridos pela equipa da Universidade do Minho coordenada por Conceição Nogueira, num projeto de investigação financiado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), revelaram discriminar pouco, "recusando emitir juízos discriminatórios no discurso", resume à Lusa João Oliveira, um dos investigadores.

Ao contrário, sublinha o psicólogo social, as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT) inquiridas num relatório paralelo e feito em simultâneo, dizem exatamente o contrário: são discriminadas.

"Em média, as pessoas já foram insultadas mais de três vezes por causa da sua orientação sexual", exemplifica o investigador em psicologia do género e psicologia feminista. Resumindo, os dados dos dois estudos estão em contradição: "O estudo ilustra um hiato entre o que as pessoas dizem e fazem".

A atitude preconceituosa decorre de alguns fatores - género, ideologia política, habilitações literárias, religiosidade - e diminui quando a pessoa em causa está mais em contacto com a diversidade.

"Na amostra percebe-se que os homens tendem a emitir mais juízos discriminatórios", diz.

Quando analisada a opinião face ao casamento, domina aquilo a que os investigadores chamam "heterossexismo tradicional" - que assenta na defesa da heterossexualidade "como a única maneira possível de viver a sexualidade", sintetiza.

No debate político sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, recorda, muitas pessoas diziam ser contra o casamento, mas não homofóbicas. "Este estudo demonstra cabalmente que há uma associação direta entre estas duas atitudes", frisa João Oliveira.

Desdobrando a sigla LGBT, também há diferenças - os transgéneros são os mais discriminados, conclui o estudo. O que é confirmado até pelos heterossexuais, que "acham que é um dos grupos mais discriminados da sociedade portuguesa".

"Os indivíduos transgénero, para além de porem de alguma forma em causa as normas de orientação sexual (...), põem em causa o próprio sistema de género. A transexualidade continua a ser vista como uma doença, o que não se pode dizer da homossexualidade, em termos científicos", distingue.

Quanto mais uma pessoa se posiciona à esquerda, menor é o grau de preconceito: "Estávamos à espera, até porque noutros países se replica. Os setores mais à direita são habitualmente caraterizados por atitudes muito negativas em relação a pessoas LGBT".

A religiosidade também é um fator - há uma "muito maior taxa de heterossexismo tradicional nas pessoas que são religiosas praticantes", diz.

No âmbito do dia internacional contra a homofobia, realiza-se na segunda feira, no Centro de Informação Urbana de Lisboa, uma conferência dedicada ao tema “Contra a homofobia: identificar e combater a discriminação das pessoas LGBT em Portugal”. Estarão presentes a secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais, a presidente da CIG, Sara Falcão Casaca, o deputado independente eleito pelo PS e antropólogo Miguel Vale de Almeida e representantes de associações que defendem os direitos de pessoas LGBT.


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