Projetos do PSD sobre "envelhecimento postivo" todos chumbados

Projetos do PSD sobre "envelhecimento postivo" todos chumbados

 

Lusa/AO Online   Nacional   13 de Jan de 2017, 11:08

Os projetos do PSD que visavam promover o "envelhecimento positivo" foram hoje rejeitados, com o líder parlamentar social-democrata a classificar como "chocante" a postura que os partidos que apoiam o atual Governo adotaram neste debate.

 

Os projetos do PSD incluíam recomendações ao Governo para aprovar um Plano Nacional de Ação para o Envelhecimento Positivo, para valorizar a regulamentar as universidades seniores e promover, nas instituições do ensino superior na área da saúde, a inclusão da temática da geriatria nos programas curriculares, bem como um projeto lei para criar o regime jurídico dos conselhos municipais seniores.

Todos os projetos foram rejeitados com votos favoráveis de PSD e CDS-PP e contrários das restantes bancadas, à exceção das recomendações sobre as universidades seniores e a geriatria, em que o PAN também votou favoravelmente.

No encerramento do debate, Luís Montenegro lamentou a postura no debate dos partidos que apoiam o Governo socialista, dizendo que preferiram "olhar para o passado".

"Chega a ser chocante a forma como os deputados que apoiam este governo menorizam a discussão de temas importantes", criticou Montenegro, acusando PS, BE e PCP de estarem "embriagados com o poder".

A discussão decorreu num tom tenso, com os partidos de esquerda a questionarem o PSD sobre medidas tomadas durante o seu executivo, como o corte das pensões ou do complemento solidário para idosos, questionado por que razão só agora apresentam estas medidas.

"Não deixa de ser estranha a apresentação destas propostas, diria até bizarro e comovente, que agora repentinamente se lembrem dos idosos", criticou a deputada do PS Idália Serrão.

"Porquê só agora? Porque estamos à beira de eleições autárquicas, porque o PSD já saiu do Governo?", insistiu.

A parlamentar socialista salientou ainda que as propostas apresentadas pelo PSD eram "redundantes" com o que o Governo está a fazer, referindo-se à Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável.

Este plano governamental motivou, aliás, uma troca de argumentos com a deputada social-democrata Teresa Morais, que acusou o Governo de só ter legislado depois de o PSD ter apresentado as suas propostas no parlamento, o que foi contestado pelo PS, que referiu que esta Estratégia Nacional foi aprovada num Conselho de Ministros exclusivamente dedicado à saúde de 15 de setembro de 2016.

O PCP confrontou o PSD com a política para os idosos do Governo que liderou em coligação com o CDS-PP entre 2011 e 2015.

"A vossa intenção era impor cortes definitivos nas pensões. Onde estava a vossa preocupação durante esse tempo", questionou Diana Ferreira.

A intervenção, no mesmo sentido, da deputada Carla Cruz, levou a social-democrata Teresa Morais a acusá-la de ignorância, o que resultou numa pateada por parte da bancada do PSD e levou o vice-presidente da Assembleia da República, Matos Correia (PSD), a pedir uma moderação na linguagem à deputada da sua bancada.

"Tenham vergonha na cara, cortaram o Complemento Solidário para Idosos (CSI) a 70 mil pessoas, não tiveram tempo na anterior legislatura para concretizar estas medidas?", criticou o deputado do BE José Soeiro.

Pelo CDS-PP, a deputada Isabel Galriça Neto salientou que o anterior executivo governou em tempo de assistência financeira "porque alguns deixaram o país à beira da bancarrota), enquanto Filipe Anacoreta Correia acusou os partidos de esquerda de se terem transformado numa "maioria de bloqueio" no parlamento.

"O dr. António Costa não trouxe à Assembleia da República o retrovisor para a deputada Assunção Cristas mas às escondidas acho que ofereceu a cada deputado do PS, um PCP e BE um retrovisor - eles só olham para trás, isso é muito poucochinho. É triste", rematou, no final, Luís Montenegro.

No último debate quinzenal, que se realizou pouco antes do Natal a deputada Assunção Cristas ofereceu presentes simbólicos ao chefe do executivo: um par de óculos, porque "as vezes vê as coisas desfocadas, tudo muito cor-de-rosa", um "soro da verdade" para reconhecer a "avaliação política" do anterior Governo, e um pacote das propostas apresentadas pelo CDS.

Na resposta, António Costa disse que ofereceria a Assunção Cristas "um retrovisor" para ver o seu passado governativo.


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