Projeto social do Rock in Rio globaliza-se com ambiente, música e árvores

Projeto social do Rock in Rio globaliza-se com ambiente, música e árvores

 

Lusa/AO Online   Nacional   25 de Ago de 2016, 10:15

O festival de música Rock in Rio, no Brasil desde 1985, é também um projeto social que já apoiou 3.200 jovens no Rio de Janeiro, plantou 19 mil árvores em Mafra e que, no sábado, se torna mundial.

 

O projeto social “Um Mundo Melhor” começou em 2001 (na terceira edição brasileira do festival, que está em Portugal desde 2004) e, até hoje, segundo os números da organização, já investiu cerca de 24 milhões de euros em projetos sociais e ambientais.

Plantou 304 mil árvores, apoiou mais de 200 entidades, beneficiou mais de 50 mil pessoas, apoiou cem salas de aulas em zonas carentes do Rio de Janeiro, Brasil, uma escola na Tanzânia e 14 salas para cegos e jovens com deficiências.

Da lista de apoios fazem parte também, por exemplo, uma dezena de salas de música no Brasil, mais de 700 painéis solares em Portugal, bolsas de estudo e doação de instrumentos musicais.

Esta semana, pela primeira vez, o projeto social torna-se global, com um concerto do tenor Plácido Domingo, no sábado, em plena região amazónica do Brasil, num palco flutuante montado num rio para chamar a atenção para a preservação ambiental e para os perigos das alterações climáticas.

Roberto Medina, o brasileiro que é fundador e presidente do Rock in Rio, escolheu a região por ter um papel fundamental no equilíbrio climático do planeta e por a floresta estar a ser posta em causa, com a constante desflorestação ('desmatamento').

O projeto social inclui a aposta na plantação de quatro milhões de árvores, três milhões já assegurados.

A floresta amazónica tem cerca de seis milhões de quilómetros quadrados e estende-se pelo Brasil, que tem a maior parte, mas também pela Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Contém a mais importante reserva de biodiversidade do mundo.

Só do lado brasileiro, a floresta alberga cerca de 30 mil espécies vegetais (das cem mil da América do Sul), 1.800 espécies de peixes, 399 espécies de mamíferos, 1.300 espécies de aves, 284 espécies de répteis e 250 espécies de anfíbios.

É do lado brasileiro que fica a maior bacia hidrográfica do mundo, com seis milhões de quilómetros quadrados e 1.100 afluentes.

Números oficiais indicam que 18 por cento da Amazónia já foi desflorestada. Mas as estimativas (do Instituto Socioambiental - ISA - do Brasil) também indicam que uma floresta com três milhões de árvores transpira, por dia, 48 milhões de litros de água.

Diz o ISA que a Amazónia tem 20 por cento da água doce do planeta.

No mundo, a água potável pode chegar a metade das pessoas que hoje abastece, devido ao aumento da temperatura global, decorrente das alterações climáticas.

“Estima-se que a destruição da floresta tropical mundial poderá, nos próximos quatro anos, libertar mais carbono para a atmosfera do que todos os voos, desde o nascimento da aviação, até 2025”, alerta a organização do Rock in Rio, em comunicado.

Para inverter o processo de desflorestação da Amazónia e alertar para a importância de preservar o ambiente, o concerto da Amazónia quer chegar ao mundo inteiro com a transmissão em 'streaming' (transmissão direta, através da internet).

O projeto, Amazónia Live, segue em todas as edições do Rock in Rio até 2019. Mas, para já, no sábado, Plácido Domingo cantará num rio em plena floresta. Por ela, pelos milhões de árvores a ser plantadas, pela bacia do rio Xingu (das zonas mais devastadas no Brasil), pela Amazónia inteira e pelo mundo.


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