Produtores dizem que comissário europeu deconhece realidade açoriana


 

Lusa/AO Lusa   Regional   31 de Mar de 2015, 08:16

O presidente da Federação Agrícola dos Açores declarou hoje que só o desconhecimento da realidade do arquipélago pode levar o comissário europeu da Agricultura a não viabilizar medidas adicionais para a região enfrentar o fim das quotas leiteiras.

“É um facto que existe o POSEI [programa europeu para as regiões ultraperiféricas] instituído há alguns anos, o Programa de Desenvolvimento Rural [Prorural+], mas também existem os programas de desenvolvimento rural para os outros países e regiões, e também para as regiões ultraperiféricas”, declarou Jorge Rita à agência Lusa.

As quotas leiteiras na Europa terminam hoje, passando o mercado a ser liberalizado a partir de quarta-feira.

Em entrevista concedida à Lusa, no domingo, o comissário europeu Phil Hogan considerou que o programa para as ultraperiferias POSEI já possui mecanismos que permitem aos Açores enfrentar o fim das quotas leiteiras, apoiando a diversificação e adaptação do setor ao novo mercado.

O dirigente agrícola açoriano recorda que no âmbito das políticas destinadas às regiões ultraperiféricas, a Comissão Europeia (CE) já promoveu no passado discriminações positivas para os territórios ultramarinos franceses e para as Canárias (Espanha), neste caso, por causa da produção de banana, na sequência dos impactos negativos das negociações com o Mercosul, e através de um apoio direto de 40 milhões de euros.

O que é “importante e fundamental”, de acordo com o representante da lavoura açoriana, é que se a crise do leite se agravar nos próximos tempos, na sequência da abolição das quotas leiteiras, tem de haver medidas adicionais para os Açores, uma vez que o impacto nas ilhas não será o mesmo que no continente e na Europa.

“É preciso que o comissário europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural perceba de uma vez por todas o que é a nossa realidade, perceba o que é viver e produzir em ilhas para entender melhor essa nossa reivindicação, que é uma autêntica gota no oceano comparativamente aos milhões que outros têm”, declarou Jorge Rita.

O dirigente da federação agrícola espera que da parte da CE haja bom senso e que se perceba as preocupações do setor, recordando que Phil Hogan também é oriundo de uma ilha, embora de grandes dimensões (Irlanda), que quase duplicou a sua produção de leite, o que nos Açores é “totalmente impossível”.

Jorge Rita refere que há a “obrigação de todos", em conjunto, "fazer perceber à CE e ao senhor comissário as necessidades da região para o contínuo desenvolvimento sustentável de uma fileira tão importante como o leite em termos económicos e sociais”.

O presidente da Federação Agrícola dos Açores afirma que nenhum setor no arquipélago promove melhor a coesão económica e social do que a agricultura, com poucos custos.

Também o Governo Regional dos Açores defende um envelope financeiro complementar ao POSEI para atenuar os efeitos negativos do desmantelamento do regime de quotas leiteiras na região.


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