Produtores de fruta apelam a Bruxelas para desbloquear barreiras que impedem exportações


 

Lusa/AO online   Economia   10 de Abr de 2015, 15:03

A fileira hortofrutícola pediu em Torres Vedras ao comissário europeu da Agricultura o desbloqueio de barreiras alfandegárias que impedem a exportação para diversos países, de forma a diversificarem os mercados e combaterem os baixos preços nos tradicionais.

 

"Pedimos apoio para ultrapassar barreiras alfandegárias no que se trata a países populosos para onde interessa exportar, como China, Índia, Colômbia, que são mercados interditos e a Comissão Europeia tem de olhar para isto", afirmou José Burnay, administrador da Campotec, associada da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas.

A fileira defende que a entrada em países até agora interditos não só é necessária para encontrar alternativas ao embargo da Rússia aos produtos europeus, mas também "vital" para o desenvolvimento da agricultura portuguesa, uma vez que estão a ser feitos investimentos no aumento da área de cultivo, que vai contribuir para uma maior oferta de produtos no mercado.

"Temos de diversificar absolutamente os nossos mercados porque estão saturados para os produtos que pensamos vir a ter. Caso contrário vamos estar presente nos mesmos mercados, como acontece no Brasil ou Inglaterra, e a única consequência é o abaixamento dos preços e não é isso que pretendemos", alertou.

O responsável por aquele agrupamento de produtores lembrou o investimento em curso em cem mil hectares da região do Alqueva, para rematar que é "vital encontrar países com capacidade de consumo e que representem uma saída garantida para o aumento da produção que se vai verificar".

A Campotec fez parte da visita do comissário europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural, a Portugal.

Phil Hogan disse que, ainda que esteja a ter um ritmo lento, a Comissão Europeia está em negociações com os Estados Unidos da América, no âmbito das oportunidades de mercado fora da Europa que está a procurar encontrar.

O Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, mais conhecido pela sigla inglesa TTIP, visa eliminar barreiras alfandegárias e regulamentares entre os Estados Unidos e a União Europeia e está a ser negociado desde 2013 entre as duas partes, tendo conclusão prevista para o final deste ano.

Questionado sobre o impacto do embargo russo nos agricultores europeus e a ajuda disponibilizada por Bruxelas, Phil Hogan sublinhou que a Comissão Europeia já disponibilizou 350 milhões de euros desde setembro do ano passado e que estendeu o apoio ao setor das frutas e vegetais até ao final de junho.

"Temos também apoios adicionais à promoção para os Estados-membros para ajudar as cooperativas e organizações de produtores a encontrar mercados alternativos de exportação", destacou, salientando que cerca de 40% do setor das frutas e legumes tem encontrado mercados alternativos nos EUA e Extremo Oriente, embora haja ainda barreiras para ultrapassar.

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