Processo de redução de trabalhadores portugueses prolongado

Processo de redução de trabalhadores portugueses prolongado

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Mar de 2016, 14:20

O processo de redução da força laboral portuguesa na base das Lajes, nos Açores, que deveria estar concluído hoje, mantém cerca de uma dezena de funcionários nacionais sem colocação, revelou hoje a comissão representativa dos trabalhadores (CRT).

 

"Estão a ser feitos todos os esforços para que todas estas pessoas sejam colocadas num posto de trabalho", salientou hoje, em declarações à Lusa, Luís Moniz, membro da CRT, explicando que os trabalhadores que ainda não foram colocados têm baixas qualificações.

A administração norte-americana anunciou em janeiro de 2015 uma redução de cerca de 500 militares na base das Lajes, na ilha Terceira, havendo como consequência o despedimento de cerca de 400 trabalhadores portugueses.

O processo deveria terminar hoje, mas a Força Aérea norte-americana decidiu alargar o período de saída dos trabalhadores, tendo em conta que alguns postos exigiam uma formação mais exigente dos substitutos.

Depois de várias reuniões da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos, os norte-americanos decidiram, em junho, aumentar o número de vagas a manter para os trabalhadores portugueses de 378 para 405 e aceitaram possibilitar rescisões por mútuo acordo a todos os funcionários que o desejassem.

Cerca de quatro centenas de trabalhadores que assinaram rescisões por mútuo acordo deixaram a base das Lajes de forma gradual entre 11 de setembro e 11 de março.

Inicialmente, foram aceites 421 rescisões por mútuo acordo, mas, entretanto, a Força Aérea norte-americana alargou essa possibilidade a 17 bombeiros, cujas rescisões tinham sido recusadas por motivos operacionais.

Neste momento, ainda estarão a trabalhar na base das Lajes entre 30 a 40 funcionários que aceitaram rescisões por mútuo acordo (incluindo os bombeiros), que só sairão a 30 de setembro, no final do ano fiscal americano.

Segundo Luís Moniz, com esta flexibilização nas saídas, os trabalhadores que ainda não foram colocados ganharam "alguns meses" para aumentarem as suas qualificações.

"A data para a resolução era hoje. O que se conseguiu até agora foi adiar aquela data fixa e ganhámos algum tempo para qualificar estas pessoas", destacou.

De acordo com o membro da CRT, está a ser estudada a possibilidade de o Governo Regional colaborar na formação dos trabalhadores menos qualificados.

Por outro lado, os norte-americanos já reduziram algumas das exigências feitas inicialmente em alguns postos de trabalho e alguns trabalhadores já aumentaram as suas competências, por exemplo, melhorando o seu Inglês ou tirando carta de condução.

Com a redução do efetivo militar norte-americano e com a impossibilidade de deslocação de militares com famílias, o número de vagas de serviços de apoio "diminuiu significativamente", o que reduziu também a necessidade de mão-de-obra menos qualificada.

Segundo Luís Moniz, cerca de 80% dos trabalhadores estão atualmente "num processo de aprendizagem", com a CRT a defender que o processo de redução deveria ter ocorrido num maior período de tempo para permitir a formação adequada dos funcionários.

Ainda assim, o representante dos trabalhadores considerou que só em setembro, quando se prevê que o processo de redução esteja concluído, será possível fazer uma avaliação.

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