Prioridade do novo presidente do parlamento catalão é restaurar instituições

 Prioridade do novo presidente do parlamento catalão é restaurar instituições

 

Lusa/AO online   Internacional   17 de Jan de 2018, 14:05

O novo presidente do parlamento catalão, Roger Torrent, do partido independentista ERC, disse esta quarta-feira que a sua prioridade é "restaurar em pleno" e o quanto antes "as instituições catalãs", intervencionadas por Madrid após uma declaração unilateral de independência.

Torrent, da Esquerra Republicana Catalana (ERC) foi eleito hoje com 65 votos dos deputados independentistas, numa votação em que houve oito votos brancos do Catalunya en Comú - Podem (a formação catalã do Podemos) e um outro voto branco de um deputado constitucionalista.

No discurso de tomada de posse como presidente do Parlamento regional da Catalunha, Torrent fez questão de evitar qualquer referência à "República da Catalunha", proclamada unilateralmente na última sessão parlamentar, o que levou o governo em Madrid a dissolver a assembleia, destituir o governo e convocar novas eleições na região.

Antigo presidente de Câmara na província de Girona, Roger Torrent disse que pretende, antes de mais, "pôr um fim imediato à intervenção" do governo de Madrid sobre as instituições catalãs, ao abrigo do artigo 155 da Constituição e "recuperar a normalidade institucional necessária".

Torrent deixou ainda "o firme compromisso de trabalhar para todas e para todos os deputados da Câmara", fazendo uma referência explícita aos deputados que estão detidos (por rebelião, sedição e uso fraudulento de fundos públicos para declarar a independência), bem como os que estão fugidos na Bélgica.

"Neste momento a responsabilidade é ainda maior por causa do contexto complexo e anómalo que enfrentamos. Quero recordar que três deputados desta Câmara encontram-se em prisão preventiva (entre os quais Oriol Junqueras, o presidente da ERC)", disse Roger Torrent.

"Outros cinco deputados e o Presidente Puigdemont encontram-se em Bruxelas, porque podem receber o mesmo tratamento se regressarem ao país", concluiu.

Assim, o novo presidente do parlamento catalão disse que vai "trabalhar incansavelmente para que na presente legislatura a política volte a estar no centro do debate", uma referência aos processos judiciais levantados contra os dirigentes independentistas.

Torrent também reafirmou um dos lemas dos partidos independentistas: a de que a vontade popular expressa nas urnas a 21 de dezembro se sobrepõe aos processos judiciais contra os dirigentes da ERC e da Junts par Catalunya (JxCat).

"Peço respeito pelos votos do povo e pela vontade popular", disse Roger Torrent, acrescentando - no entanto - que "quer contribuir para coser a sociedade catalã".

"Somos uma sociedade de identidades cruzadas e múltiplas. É preciso fomentar a coesão", disse.

O novo presidente - que sucede a Carme Forcadell, também ela alvo de processos judiciais pela declaração de independência da Catalunha - terminou o seu discurso com uma frase em catalão: "Visca la democràcia i visca Catalunya (Viva a Democracia e viva a Catalunha)".

As frases independentistas mais conhecidas referem "Viva a Catalunha Livre" ou "Viva a República Catalã", algo que Torrent evitou dizer.



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